J. B. Oliveira

Comunicação visual: o que elas fazem. E eles não entendem...

                           

                                                                                                                          J. B. Oliveira

 

É indiscutível que homens e mulheres têm – em determinadas circunstâncias e situações – comportamentos diametralmente opostos. Estudiosos e pesquisadores do assunto afirmam que isso se dá em decorrência da área do cérebro que cada um utiliza. Priorizando o hemisfério esquerdo, racional, o homem costuma ser mais prático, mais utilitarista. Valendo-se do lado direito, emocional, ela tende a ser caprichosa, insinuante, delicada, sutil. Eis algumas coisas que ela faz normalmente e que ele não consegue entender:

Ela usa um decote generoso, ousado. E quando, ao falar com ele, se inclina um pouco, coloca a mão sobre o decote! O cérebro prático dele raciocina: “se precisa cobrir o decote, não seria melhor simplesmente não usá-lo? ” E é exatamente isso que ele, em seu procedimento metódico faria...

Outra situação paradoxal para ele é ela usar saia ou vestido bem curtinho e ficar o tempo todo puxando-o para baixo! “Bolas”, pensa ele, “ou não use roupa tão curta ou não fique esticando-a cansativamente!” - E é aí que cabe esta gostosa trova:

Muito esquisitos eu acho
Teus vestidos, minha prima:
São altos demais embaixo,
E baixos demais em cima!

Ela poderia, sim, agir da forma simplista, incolor, inodora e insípida como ele pensa. Mas onde estaria a graça feminina, sua criatividade, seu fetiche? É precisamente essa capacidade de sugerir, de insinuar que a mulher tem, por natureza, que leva o homem a encantar-se com ela. E encantar-se subliminarmente: isto é, sem que saiba racionalmente o porquê! Nem poderia ser diferente, uma vez que, nessa situação de enlevo, o cérebro metódico e analisador dele “pede licença” e deixa-o só com o emocional...

O cérebro tem coisas curiosas. São as famosas “as razões que a própria razão desconhece”. A “própria razão”, mas não a mulher que aos conhece muito bem... e as usa!

Basta observar que, em qualquer praia, há excessiva exposição do corpo feminino. É fio dental, biquíni e “biquinininho” por todo lado. Garotas que parecem ter sido modeladas por escultores (não modernistas, nem cubistas, claro) inspiradíssimos desfilam seus corpos privilegiados (às vezes também turbinados ou siliconados...), sem que haja qualquer consequência maior do que um beliscão de uma esposa ciumenta...

Em pouco tempo, a quase nudez é absorvida pelo comum da praia e não causa mais nenhum frisson.

Mude-se agora o cenário, para o do dia a dia, no trabalho, no transporte ou no meio social. Todos estão enfiados em seu traje normal: social, passeio completo, passeio ou informal. Aí, sentada em uma cadeira, banco ou sofá, ela cruza as pernas e deixa aparecer uma parte pouco acima do joelho, na coxa! Pronto: atenção geral masculina, olhos atentos, investigativos e até gulosos... que não vão ver metade do que viram na praia.

Mas o estímulo mental e a sensação psicoemocional são outros... e a mulher sabe disso!

*J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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