J. B. Oliveira

       

Verbos diferentes para seres diferentes...

J. B. Oliveira

                                                                                                                                                           

Sempre pensei que “comprar” e “fazer compras” fossem a mesma coisa. Afinal ambas as formas exprimem o sentido de adquirir alguma coisa. Mas aí eu li na Folha de São Paulo, seção “Mercado”, do último dia de fevereiro, este primoroso texto “do enviado de Barcelona”:

 

“‘comprar’ e ‘fazer compras’ serão ações de diferença cada vez mais nítida por causa   da tecnologia. É o que dizem executivos que trabalham diretamente no varejo ou em áreas relacionadas a ele. Segundo essa definição, comprar envolve, por exemplo, o ato de adquirir produtos necessários para a vida no dia a dia, um processo com o qual o consumidor gostaria de perder o menor tempo possível.

Já ‘fazer compras’ é um processo mais longo, de escolha, tentativa e erro, e também prazeroso. ‘Gostaríamos que algo que nos faz felizes fosse totalmente automatizado?’, pergunta Ann-Sofie Isakson, especialista em marketing do Ikea.

‘Comprar pode ser algo automatizado’, diz Pernilla Jonsson, que encabeça o laboratório de pesquisa ao consumidor da Ericsson, fabricante sueca de aparelhos de telefonia. ‘Já no caso de fazer compras, a tecnologia entra para melhorar a experiência do consumidor.’

 

A partir daí, pode-se perceber claramente a diferença entre os verbos “comprar” e “fazer compras”, e, mais do que isso, qual dos cônjuges “conjuga” um ou outro! Vamos lá, repetindo os conceitos acima: “comprar envolve, por exemplo, o ato de adquirir produtos necessários para a vida no dia a dia, um processo com o qual o consumidor gostaria de perder o menor tempo possível”!

“Já ‘fazer compras’ é um processo mais longo, de escolha, tentativa e erro, e também prazeroso’... ‘Gostaríamos que algo que nos faz felizes fosse totalmente automatizado?’

 

Aí está, com todas as letras: “comprar” é descrito como o ato de adquirir produtos necessários, em que se procura perder (ou gastar, não importa) o menor tempo possível.

Por sua vez, “fazer compras” é um processo mais longo, de escolha, tentativa e erro, e também prazeroso...

 

A conclusão obrigatória e indiscutível é esta: o homem compra. Em princípio, exclusivamente o necessário e no menor espaço de tempo possível. Se vai comprar uma camisa, ele não traz duas. Se é um par de sapatos, é um par e acabou. Além disso, segue diretamente para a loja que vende o artigo – geralmente a mesma em que ele compra há séculos – adquire-o e volta tão diretamente quanto foi...

A mulher não. Ela não compra. Faz compras (assim mesmo, no plural!). Daquele jeitinho que o texto descreve: em um processo longo, de escolha, tentativa e erro: desce todo o estoque, prova artigos de modelos, cores, cortes, complementos e acessórios e até tamanhos diferentes, demorando nisso um tempo tão extenso que marido algum aguenta... Por fim, frente à dúvida cruel que se instala em razão disso, acaba comprando mais de uma peça... para satisfação da “amiga” vendedora! O detalhe está no final da frase transcrita: o processo lhe é prazeroso!

Por isso, não há tristeza, estresse, mágoa, depressão que não se cure com uma boa “shoppinterapia”.

Também não há melhor forma de o casal manter-se em harmonia do que participar de workshop!

Ele “work”.

Ela “shop”!

 

 

 

 

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

www.jboliveira.com.br

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