J. B. Oliveira

Por que os homens dizem e as mulheres falam...

 

J. B. Oliveira (*)

“Por que os Homens fazem sexo e as Mulheres fazem amor” é um interessante livro escrito, curiosa e interessantemente, por um casal: Allan e Bárbara Piese.

Ele é um autor australiano e ela trabalha na empresa familiar Pease Training International, que produz vídeos e cursos de treinamento para empresas e órgãos governamentais. É a escritora que mais vende na Austrália, tendo produzido sozinha ou a quatro mãos, com o marido, best-sellers que venderam mais de 20 milhões de exemplares.

O casal desenvolveu a sagaz habilidade de fazer rir e ao mesmo tempo demonstrar a importância de entender as diferenças naturais entre os sexos, especialmente na forma de raciocinar. Suas obras já foram traduzidas para mais de 50 idiomas e disponibilizadas em 100 países.
Seus outros livros são: Por que os Homens mentem e as Mulheres choram? Por que os Homens coçam a orelha e as Mulheres mexem na aliança? Por que os Homens nunca ouvem nada e as Mulheres não sabem ler mapas? Desvendando os segredos da Linguagem Corporal. Será que a Gente Combina? Como conquistar as Pessoas. Desvendando os Segredos da Atração Sexual; e A Linguagem Corporal do Amor.

Em síntese, o livro é um somatório de observações práticas do comportamento do homem e da mulher e de registros científicos (estes vistos com certa reserva pelo meio acadêmico). O que importa é que o resultado é uma obra que diverte e orienta ao mesmo tempo, o que justifica seu grande sucesso no mundo todo. Nossa proposta é outra, embora semelhante. É mostrar que até mesmo nos verbos as diferenças entre homens e mulheres se fazem presentes.

Em um de seus muitos sucessos, o rei Roberto Carlos canta: “Eu tenho tanto para lhe FALAR, mas com palavras não sei DIZER como é grande o meu amor por você”. O que isso significa? Falar e dizer não são palavras sinônimas? Não querem dizer a mesma coisa? Até podem querer dizer, mas não dizem a mesma coisa!

Falar é apenas expressar alguma coisa, sem muita profundidade ou comprometimento mais sério. Identifica-se com algo que é mais fruto da emoção do momento, da sensibilidade da alma. Falar pode ser apenas abrir a boca e expelir o som, modulando-o em forma de palavras. É muito próprio da mulher, que – sendo sempre mais espontânea – exterioriza seus pensamentos no mesmo instante em que eles lhe vêm à mente. Ou seja: ela pensa “para fora”!

O que complica para o homem é que, como o pensamento é muito rápido e ágil, ela pode lhe transmitir uma infinidade de coisas ao mesmo tempo. Mais ou menos assim: “Que tal irmos ao teatro amanhã? O que você acha de comprarmos um carro novo? Nosso filho não vai bem em matemática. Você viu que o apartamento em frente está à venda? Eu lhe disse que este livro do Fulano de Tal é muito bom?”

Dizer, por sua vez, é declarar, afirmar algo. Por essa razão, exige certa elaboração, raciocínio, coerência. Vincula-se mais ao comportamento do homem, que tem o hábito de trabalha as ideias antes de formular as palavras. Isto é: ele pensa “para dentro”! Pouco espontâneo, é difícil arrancar dele um “eu te amo”, porque tem medo de se comprometer com o que diz. Para ela, proferir essa mesma frase é fácil: ela está falando um sincero “eu te amo” – agora! Depois é outra história: não há aqui um compromisso imutável. Esse seu amor é “eterno enquanto dura”. E pode durar alguns minutos!

A diferença do uso prático de dizer e falar pode ser constatada nesta frase tão comum (de modo especial em época de campanhas políticas...): “Fulano de Tal fala e fala e não diz nada”!

 *J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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