A EDUCAÇÃO E A IMPRENSA

 

                                                                                                                                                    J. B. Oliveira

Educação é um universo bem mais extenso do que aquilo que oferecem os ensinamentos ministrados na escola convencional, por amplos que sejam. Segundo conceitua Kant, “A educação tem por fim desenvolver, em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz”, o que a leva bem além do mero currículo escolar e a torna um processo vitalício. “Licht, mehrlicht”: “Luz, mais luz” teria dito Goethe ao morrer, fechando um ciclo de aprendizado que o acompanhara ao longo de toda sua vida, das mais ricas em conhecimento.

Não é sem razão que a sabedoria popular chama a existência de “a escola da vida”. Nela as lições são ministradas dia após dia por mestres distintos. As “Professoras” Família, Sociedade e Vivência; os “Professores” Trabalho, Colegas e Acontecimentos, entre outros, vão transferindo conhecimentos e informações que fluem para expandir e solidificar a educação em seu sentido amplo.

Dentre todos esses “fatores educacionais” os mais importantes – após a família – são os acontecimentos. A lição dos fatos, se bem aproveitada, evita que se incida no erro que outros já praticaram. Aliás, a vida é tão curta que devemos aprender o máximo com a experiência alheia, pois talvez não tenhamos tempo de aprender com a nossa própria!

Ora, se acontecimentos são vetores de educação, a quem cabe ministrá-los, de modo a que sirvam de lição para as pessoas?

À IMPRENSA, evidentemente.

Ela é testemunha e porta-voz dos fatos, da História!

É por ela – e só por ela – que os seres humanos tomam conhecimento de tudo que se passa na Terra. E até fora dela, no mundo cósmico!

Em homenagem a isso, ela não pode ser afoita, açodada, precipitada. Nem sensacionalista. Menos ainda parcial, envolvida com grupos políticos ou de qualquer outra natureza, o que lhe rouba a autoridade, mina a seriedade e compromete a autenticidade!

Para que se tenha ideia de quão poderosa é a influência que exerce a imprensa sobre a mente humana, basta ouvir o que comumente as pessoas dizem a respeito de alguma notícia: “’Tá’ no jornal”!exclamam, dando foros de verdade absoluta e indiscutível ao que a imprensa estampou.

Isso levou Carlos de Laet a declarar “A imprensa (quem o contesta) é o mais poderoso meio que se tem inventado para a divulgação do pensamento.”

A que conclusão obrigatória nos levam esses raciocínios?`

À conclusão de que a imprensa séria – a que informa, instrui e, em consequência, educa – tem compromisso ético inalienável com a verdade e só com a verdade, sob pena se transformar em instrumento da desordem, do descalabro, do caos e o que é pior: da própria injustiça!

Há 23 anos, em março de 1994, alguns veículos de comunicação paulista noticiaram mais do que com destaque – com estardalhaço sensacionalista – a ocorrência de “abusos sexuais” que estariam sendo praticados contra crianças na Escola Base, na capital, e o resultado foi terrível: o linchamento moral – e quase físico – dos donos da escola: Maria Aparecida e Icushiro Shimada e do colaborador Maurício de Alvarenga!

A consequência dessa leviandade,além da destruição do estabelecimento escolar e da vida dos injustamente acusados, foi a condenação do Estado a pagar indenização às vítimas e as ações propostas contra órgãos da imprensa, no mesmo sentido. Na ocasião, a advogada Maria Elisa Munhol, em processo contra as TV’s Globo e SBT e os jornais Folha de São Paulo, Folha da Tarde e Notícias Populares, pleiteou nada menos de que R$3.200.00,00 para cada um de seus constituintes, os também envolvidos na falsa denúncia Saulo e Mara Nunes.

Mas, ao que parece,a lição não serviu para todos. Alguns anos depois, um jornal do interior próximo, tomando por base declarações contidas em conversas tratadas de forma espúria – e já desmentidas publicamente pelo declarante – pôs-se a veicular acusações extremamente sérias contra o juiz da Comarca, os Promotores, o Prefeito e Secretários Municipais, numa atitude que beirava o desvario! O assunto, com mais detalhes, foi tratado no Jornal da Imprensa Paulista, órgão oficial da Associação Paulista de Imprensa, de que eu era, na ocasião, presidente (2006-2009). Aqui fica apenas, como corolário, a pergunta:

- Que tipo de contribuição à educação, à moral e à ética aquele órgão da imprensa estaria dando? Que exemplo para as novas gerações de jornalistas e comunicadores? Como pôde o responsável pelo jornal encarar seus concidadãos, sabendo que lhes estava transmitindo – como verdades – informações que ele sabia serem falsas? E por fim: Como fica sua consciência pessoal, como HOMEM, e como PROFISSIONAL DA COMUNICAÇÃO, como JORNALISTA?

 

J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras. -
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