Inibição! Como e porque surge!

Há estudos e mais estudos sobre a inibição, fantasma que apavora muita “gente boa” por esse mundo afora, gelando-lhe a voz na garganta. Como surge e por que surge a inibição?

 

A seguir, reproduzo algo que escrevi no livro “Falar bem é bem fácil”.

“O problema que aflige a imensa maioria das pessoas é a inibição, o medo de falar em público. Por que o temos? Há quem pense que isso ocorre somente aqui, com os brasileiros, porque achamos que não temos formação escolar sólida, nem tradição cultural, nem caldo de cultura ou coisa que o valha.

Entretanto, uma pesquisa levada a efeito nos Estados Unidos há alguns anos pela Business Week, constatou que um dos maiores medos dos americanos é falar em público! Estudos mais recentes desenvolvidos, entre outros, pelos psicólogos Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, na Califórnia, e Bernardo Carducci, mostram que o problema continua e maior que antes!

Esses estudos indicam que a porcentagem de adultos tímidos passou de 40% nos anos 70, para 50% na atualidade. Nada menos que 58% dos americanos acham falar em público um verdadeiro terror, enquanto apenas 10% da população declara nunca ter sentido ansiedade social em situações como falar em público, passar por uma entrevista ou ser observado por grande número de pessoas.

Você já parou para analisar por que sentimos medo de falar em público? Isso não deveria ocorrer, pois começamos a falar por volta do primeiro ano de existência, e falamos a vida inteira, todos os dias (alguns exageram e falam até dormindo!). Mais ou menos na mesma época em que começamos a falar, aprendemos também a andar, não é? E alguém é “inibido para andar”? Só anda com duas ou três pessoas porque tem “medo de andar em público”?

Em treinamento, eu peço aos alunos que me expliquem o porquê da inibição. As respostas são fantásticas! Mas o que de fato ocorre? Simples: o dom da fala, essa capacidade maravilhosa que temos, veio-nos como um presente de Deus. Mas veio sem o manual de instruções! ”

 

Até aqui, transcrevi parte do capítulo “Enfrentando os obstáculos um a um”, da página 65 da terceira edição do referido livro, publicado pela Madras Business. Mas, afinal, onde está a raiz do problema? O que normalmente acontece é que em vez de ensinar, nós “desensinamos” nossos filhos a falar. Essa história de se dizer “nenê qué pepeta”; “nenê qué naná”, ou “papá” ou “nenê qué imbola”... ou o que quer que seja nesse estilo é um absurdo! Em lugar de os pais sinalizarem para os filhos como estes devem falar, eles buscam imitar as expressões rudimentares naturais das crianças!  Para início de conversa, a criança é uma pessoa, um indivíduo, e tem um nome, pelo qual deve ser tratada! Em segundo lugar, seu cérebro começou a ser formado a partir dos dezoito dias da gestação, e lhe confere inteligência, à medida que os neurônios se desenvolvem! Então, ao invés de imitar a linguagem tatibitate da criança, os pais devem falar da forma correta: “você quer a chupeta? ”; “o Henrique quer dormir”, ou “comer”, ou “você quer ir embora”? Ao aprender a falar corretamente desde cedo, a “pessoinha” não será corrigida ou ridicularizada fora do ambiente familiar, não sofrerá vexames ou bullying, fatores que inexoravelmente geram a inibição, a insegurança, levando o indivíduo, quando adolescente ou adulto, a ter medo pânico de falar em público...

Se, como dizia Dadá Maravilha “Toda problemática tem que ter uma solucionática”, qual será a aplicável à inibição? De início, recorro ao que escreveu o Apóstolo São Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 13, versículo 11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas logo que cheguei a ser adulto, acabei com as coisas de menino.” A primeira providência é conscientizar-se de que o medo pânico de falar em público é “coisa de menino”! Não se aplica a uma pessoa adulta, que deixou “as coisas de menino”! Lá atrás, esse sentimento até se justificava, pois uma criança não conhece o significado, a extensão e o conteúdo das palavras, e tende a atrapalhar-se com elas. Um adulto, porém, já domina esses aspectos da comunicação e não tem porque deixar-se dominar pelo pânico...

A segunda medida é recorrer a um dos muitos e bons Cursos de Oratória, que, com métodos racionais e específicos, ensinam a eliminar os entraves e as barreiras da comunicação oral, levando à superação de bloqueios psicoemocionais.

Em última análise, tais cursos oferecem o que estava faltando para tornar completa a extraordinária bênção dada pelo Grande Arquiteto do Universo: “O Manual de Instruções da Fala! ”


J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras.

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Inibição! Como e porque surge!