OS DOZE TRABALHOS DE...HÍFEN!

Se conhece um pouco de Mitologia, você terá lido o título assim: “Os doze trabalhos de Hércules”, não foi? Esse é um fenômeno interessante de nosso processo comunicacional: geralmente ouvimos ou lemos o que está em nossa “retina mental” e não na mensagem que nos é dirigida!

O tema de hoje é o hífen, que – como sempre se soube – serve para hifenizar as palavras e infernizar nossa vida. Sempre foi polêmico e problemático! As modificações introduzidas pelo Novo Acordo Ortográfico não mudaram muito a situação: continua a faltar clareza e certeza em seu emprego.  Nos 12 itens abaixo, seguem os principais casos de uso ou não do tal sinal diacrítico.

  1. 1.Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por H.

ANTI-Histórico; CO-Herdeiro; MINI-Hotel; SOBRE-Humano, SUPER-Homem etc.

Exceção: subumano, caso em que a palavra humano perde o h.

  1. 2.Não se usa hífen se o prefixo termina em vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento.

AerOEspacial; agrOIndústria; antIAéreo; autOInstrução; cOAutor; infrAEstrutura etc.

Exceção: o prefixo CO em geral se aglutina com o segundo elemento, mesmo se iniciado por O:

COOperação; COObrigação; COOrdenador; COOptar; COOcupante etc.

  1. 3.Não se usa hífen, se o prefixo termina por vogal e o segundo elemento não é R ou S:

AntEProjeto; autOPeça; micrOComputador; semICírculo; ultrAModerno; semIDeus etc.

Importante: o prefixo vice, exige sempre o hífen: vice-rei; vice-almirante; vice-presidente etc.

  1. 4.Também não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por R ou S. Nesse caso especial, essas letras se duplicam: antIRRábico; antIRReligioso; antIRRugas; contrASSenso; infrASSom; micrOSSistema; minISSaia; neORRealismo; semIRReta etc.
  1. 5.Usa-se hífen quando a mesma vogal está no fim do prefixo e no início do segundo elemento:

AntI-Ibérico; antI-Inflacionário; autO-Observação; contrA-Almirante; micrO-Ondas etc.

  1. 6.Usa-se hífen quando a mesma consoante está no fim do prefixo e no início do segundo elemento:

HipeR-Requintado; inteR-Racial; suB-Bibliotecário; supeR-Racista; supeR-Reacionário etc.

Nota 1: nos demais casos, não se usa hífen: hipermercado; superinteressante; superproteção.

Nota 2: Com o prefixo SUB, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por R: SUB-Raça;

              SUB-Regional; SUB-Região, SUB-Recepção etc.

Nota 3: Com os prefixos CIRCUM e PAN, usa-se hífen diante de palavra iniciada por VOGAL, M e N: CIRCUM-Navegação; PAN-Americano etc.

  1. 7.Não se usa hífen se o prefixo terminar por consoante e o segundo elemento começar por vogal:

HIPERAtivo; INTEREscolar; INTEREstadual; SUPERInteressante; SUPEROtimismo etc.

  1. 8.Usa-se hífen com os prefixos EX, SEM, ALÉM, AQUÉM, RECÉM, PÓS, PRÉ e PRÓ:

ALÉM-túmulo; AQUÉM-mar; EX-prefeito; PÓS-graduação; PRÉ-história; PRÉ-vestibular; PRÓ-Europa; RECÉM-casado; RECÉM-nascido; SEM-terra etc.

  1. 9.Usa-se hífen com os sufixos de origem tupi/guarani AÇU, GUAÇU e MIRIM:

Capim-AÇU; Mandi-GUAÇU; anajá-MIRIM etc.

  1. 10.Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam e não formam propriamente VOCÁBULOS, mas ENCADEAMENTOS VOCABULARES:

Ponte RIO-NITERÓI; eixo RIO-SÃO PAULO; fluxo NORTE-SUL etc.

  1. 11.Não se deve usar o hífen em certas palavras que PERDERAM A NOÇÃO DE COMPOSIÇÃO:

Girassol; madressilva, mandachuva, paraquedas; paraquedista, pontapé etc.

  1. 12.Quando a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir, no fim da linha, com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte, para maior clareza gráfica:

 

                                                                                                                      Encontramo-nos com o ex-

                                                                                                                      -prefeito de São Paulo.

 

Seria muita pretensão imaginar que um mero artigo pudesse sanar todas as questões surgidas a partir das alterações contidas no acordo que se propõe a unificar a ortografia no mundo lusófono. As dúvidas persistirão e o melhor meio de dirimi-las é consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Ainda assim, “brigaremos” entre nós e com o corretor de erros do computador, que ainda não “engoliu” as novas regras e continua nos dando “cartão vermelho”!


J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras.

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