“AS PREPOSIÇÕES E AS CONJUNÇÕES NA GRAMÁTICA E TAMBÉM NA PRÁTICA”

O que “a gente aprendemos” na Gramática não tem nenhum valor prático... é só teoria!

É assim que pensam muitas pessoas! Para elas, Gramática é coisa que se aprende só para “cumprir tabela”. Depois de feita a prova, deixa-se de lado, porque não tem qualquer aplicação prática! Em outras palavras: nós aprendemos ou “fazemos de conta” que aprendemos (até mesmo porque alguns raros maus “professores” “fazem de conta” que ensinam...) mas não aprendemos, isto é, não assimilamos, não retemos o conhecimento. O resultado dessa prática é danoso, como tem sido demonstrado nesta coluna...

O que, entretanto, haverá de prático nas chamadas “categorias gramaticais” ou “classes de palavras”?

Inicialmente é bom recordar que de acordo com a Portaria 36, de 28 de janeiro de 1959, (a famosa NGB – Nomenclatura Gramatical Brasileira) todas as palavras da Língua Portuguesa acham-se reunidas em 10 classes, que são: 1- Substantivo; 2- Adjetivo; 3- Artigo; 4- Numeral; 5- Pronome; 6- Verbo; 7- Advérbio; 8- Preposição; 9- Conjunção; 10- Interjeição.

O curioso é que a própria NGB, após fazer essa enumeração, declara: “Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, terão classificação à parte.

São palavras que denotam exclusão, inclusão, situação, designação, retificação, realce, afetividade etc”.

Ora, se como está dito com todas as letras “Certas palavras terão classificação à parte”, significa que elas constituirão uma nova classe! O que nos leva à incrível, porém indiscutível conclusão de que AS DEZ CLASSES DE PALAVRAS EM PORTUGUÊS SÃO ONZE!

Também não é para se espantar tanto assim, porque, afinal, os Três Mosqueteiros eram quatro!... e eram franceses!

Aqui cabe uma pergunta: por que (separado porque é interrogação, lembra?) dividem-se as palavras em classes?

Pela mesma razão por que (também separado porque {agora junto...} o que tem aí função de pronome relativo, pois a idéia é: razão pela qual...) dividem-se as pessoas em classes: a dos engenheiros; a dos advogados; a dos médicos; a dos professores...: porque cada classe tem função diferente.

E qual é a função da PREPOSIÇÃO?

“Ligar partes da oração dependentes umas das outras (palavras), estabelecendo entre elas inúmeras relações.”

Em termos mais simples: a função da preposição é ligar palavras entre si. Em princípio, a preposição, isoladamente, não te sentido: a, de, para, com, sem... Entretanto, ela estabelece uma relação entre outras palavras.

Alguns exemplos:

 

Palmo a palmo; parede de tijolos; presente para você; café com leite; história sem graça...

 

Para ilustrar o lado prático da preposição, aí vai um “causo”.

 

Depois de certo período de convivência, o casal se separa. Imediatamente o homem entra com pedido de restituição dos valiosos presentes dados à companheira. Ela se recusa a devolvê-los, alegando que ele os dera para ela, e apresenta os cartões que haviam acompanhado cada presente. E é então que o companheiro ganha a causa: seu advogado demonstra que os presentes tinham sido dados A ela e não PARA ela!

O que ocorre é que, embora tenham sentido equivalente, a preposição PARA traduz idéia de estado permanente, enquanto que a preposição A se identifica com estado passageiro!

Conta-se que se encontrava Rui Barbosa em ônibus que fazia a viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro, quando o passageiro a seu lado – querendo “prosear” – disse-lhe:

— Eu estou indo “pro” Rio de Janeiro.

— O senhor mora lá?

— Não. Moro em São Paulo.

— Mas vai permanecer lá por muito tempo?

— Não senhor. Vou voltar amanhã mesmo.

— Então, asseverou Rui, o senhor não vai PARA, o senhor vai AO Rio de Janeiro.

O homem nada mais disse. Estranhando seu silêncio, Rui indaga:

— Restou alguma dúvida?

— Sim. Eu não sei se devo manda o senhor A ou PARA...

A CONJUNÇÃO, por sua vez, tem a função de “ligar duas orações”, ocorrendo, portanto, em um período composto. Se ligar orações de mesmo valor gramatical, será chamada de Conjunção coordenativa. Se unir uma oração principal a uma subordinada, seu nome será Conjunção subordinativa.

E qual é a importância prática dela? (o cacófato é proposital!) (“Tá ligado”?: ocorre cacófato quando do final de uma palavra e o início de uma outra surge uma terceira, de sentido ridículo ou torpe: mande-me já os papéis, para eu fazer isso já, como da vez passada, por cada um de você!).

Bem, já o “causo” que ilustra o uso prático da conjunção aconteceu comigo!

Ainda garotão, percebi que certo namoro estava chegando ao fim quando observei que, sem querer, tínhamos – a garota e eu – trocando a conjunção subordinativa adverbial TEMPORAL pela conjunção subordinativa adverbial CONDICIONAL!

É que antes, no começo do namoro, falávamos:

— QUANDO nos casarmos, vamos fazer assim e assim...

De repente, passamos a falar:

— SE nos casarmos, vamos fazer assim e assim...

Pois é, não havia dúvida: o nosso caso tinha chegado ao fim! E por falar em fim, aqui é o FIM!  


J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras.

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