Influências americanas na língua italiana...

J. B. Oliveira

 

Na Segunda Guerra Mundial, que se estendeu de 1939 a 1945, a Itália inicialmente esteva coligada à Alemanha e ao Japão, na formação da chamada Potência do Eixo (“Potenze dell’Asse” em italiano; em alemão “Achsenmacht”, e “Sujikukoku” em japonês). Em 25 de julho de 1943, porém, com a deposição de Benito Mussolini, essa situação começa a mudar. Em 3 de setembro daquele ano, as Forças Aliadas (integradas por Estados Unidos, União Soviética, Império Britânico e China) invadiram a Itália, e apenas cinco dias após recebiam permissão para usar a região de Salerno como base de operações contra a Alemanha. Por fim, em 13 de outubro, a Itália declara formalmente guerra à sua antiga parceira Alemanha. Então a debacle das forças do Eixo já havia começado. Em 2 de maio de 1945, cessam as hostilidades no continente europeu e, em 2 de setembro do mesmo ano – após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki – encerra-se de vez o maior conflito bélico da humanidade.

Esse rápido retrospecto histórico vem como pano de fundo para corroborar o título desta crônica. É interessante notar como uma língua de origem anglo-saxônica lançou raízes em um país de fala latina. E não foi só lá, evidentemente. Aliás, a partir da Segunda Grande Guerra, o inglês tornou-se a “língua franca” – isto é, de convergência universal – em substituição ao francês, até então tido com tal. Por ser sintético e relativamente fácil, e também por designar um enorme e crescente conjunto de equipamentos, recursos e parafernálias tecnológicos, o inglês espalhou pelo mundo todo seu uso... e abuso – no caso do Brasil! Aqui, hoje, proliferam os “food trukcs”, depois da disseminação das redes de “fast food”, em que se pode recorrer ao “self service” ou ao “delivery”. Nesse caso, por “motoboy”...!

Voltemos, porém, à bela e romântica Itália. Sempre que estou por lá, ponho-me a observar seus hábitos comunicacionais e comportamentais. Em Trieste, que é minha “base” no país, apuro os ouvidos, porque, além do italiano, pode-se ouvir o triestino, o istriano, o friulano, o esloveno e o croata, além de outros idiomas e dialetos. Com inveja, vejo como o serviço de ônibus é tão perfeito – em qualidade dos veículos e pontualidade – que poucas pessoas usam transporte privado! Cavalheiros elegantes e senhoras bem trajadas e bem produzidas valem-se dessa condução!

A título de demonstração, listei as palavras abaixo que, totalmente em inglês ou com leve “customização”, estão presentes no idioma de Dante Alighieri:

Jungle       (selva)               giungla                                         Umbrella   (guarda-chuvas)   ombrello

Computer (computador)   computer                                     Candle         (vela)                   candela

Carrot      (cenoura)           carota                                           Jacket           (jaqueta)             giacca

Yelow       (amarelo)           giallo                                             Blue               (azul)                 blu

Pajama     (pijama)           piagiama                                       Message         (mensagem)     messagio

Diskette   (disquete)         dischetto                                       Bus                 (ônibus)             autobus

 

É claro que essa lista é apenas exemplificativa e não extintiva. Uma pesquisa mais ampla e mais detida revelaria muitos outros casos de vocábulos com essas características. E, a bem da verdade, nenhum mal há em que se usem palavras de outros idiomas, naquilo que podemos chamar de “intercâmbio vocabular”. Deveríamos, entretanto, como norma de bom senso e de economia vernacular, usar o mesmo princípio aplicado em relação à importação de bens: se possuímos o produto nacional, não há razão para adquirir o similar estrangeiro!

Para compensar – e para finalizar – considere-se que temos palavras portuguesas também em outras culturas. O japonês, por exemplo, agradece usando o termo “arigatô”, que nada mais é do que uma forma adaptada de nosso velho e consagrado obrigado!

 

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

www.jboliveira.com.br

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