Conteúdo e Forma   

 

J. B. Oliveira

                                                                                                                                                             

Qualquer tipo de comunicação: cultural, sacra, política, pedagógica, literária, poética ou o que quer que seja a área a que se refira, tem a compô-la apenas dois fatores:

 

Conteúdo e

Forma.

 

Conteúdo é o que se tem que dizer. É a essência da comunicação. É a mensagem, enfim.

Em uma aula, é a matéria que deve ser transmitida aos alunos. Em negócios, a proposta do produto ou serviço que se quer vender. Em política, é o argumento com que se pretende obter o apoio, o voto dos eleitores. Em palestra, a mensagem que o palestrante pretende fixar na mente e na alma do público a que se dirige.

 

Forma é a maneira a ser usada para se comunicar o conteúdo. É a “embalagem” que vai revesti-lo, de modo a fazer com que seja bem recebido, bem aceito pelo público.

 

Nos segmentos de Propaganda, Publicidade e Marketing, a escolha da embalagem é objeto de sérios e aprofundados estudos. Título, cores, forma, apresentação, texto de chamada, por exemplo, são cuidadosamente pesquisados, analisados e discutidos. Entre outras coisas, leva-se em consideração o público-alvo do produto. Se destinado ao segmento da assim chamada “melhor idade”, formato muito ousado e cores berrantes não são recomendáveis. Já para a ala jovem, evitam-se formas que sejam conservadoras (“quadradas”), bem como cores de nuance pastel, pálidas, esmaecidas...

 

No dia a dia, muitas são as pessoas que – em razão de sua inteligência, erudição, estudos, vivência acadêmica, leitura, pesquisas etc. – possuem vasto e rico acervo intelectual. Não conseguem, entretanto, transmitir eficazmente esse valioso somatório de conhecimentos!

É comum acontecer isto: conhecemos os livros de um grande escritor e passamos a admirar seu talento e inteligência. Então, ficamos sabendo que ele vai proferir uma palestra a que podemos assistir. Entusiasmados, comparecemos para ouvi-lo ao vivo... e nos decepcionamos! O autor de obras tão extraordinárias se expressa mal, tem postura incorreta, má colocação de voz, gagueja, tartamudeia, usa “muletas verbais” inaceitáveis, como “tá”, “né”, “ok”, “entende”, perde-se na sequência das palavras, é repetitivo, fala em tomo monocórdio, cansativo, enfadonho e sem ênfase...

Chegamos até a pensar: “será que esta é a mesma pessoa que escreveu aquelas obras tão notáveis?”

 

É isso o que acontece quando um bom “produto” não dispõe de uma boa “embalagem”, de exposição correta!

 

O oposto também acontece: há verdadeiras mediocridades no campo do conhecimento que levam imensas plateias ao delírio com sua fala, várias vezes interrompida por palmas e ovações, sendo, ao encerramento, aplaudidas de pé! Uma simples observação mostrará que esse orador flexionou sua voz, ora elevando-a a quase grito, ora trazendo-a próxima de um sussurro – para traduzir intimidade, coloquialismo, cumplicidade. Em determinados momentos, falou rapidamente, como a acompanhar um movimento lépido, fugaz, a que se referiu. Em outros, sua fala foi compassada, lenta, dividida si-la-bi-ca-men-te, para enfatizar cada parte do vocábulo! Terá tido, também, boa presença de palco, enriquecida por gestos, dinâmica corporal e expressões fisionômicas diversas!

Isso faz toda a diferença.

 

Pelo que está dito acima, pode-se perceber que conteúdo e forma trabalham lados distintos do cérebro. O conteúdo aciona o hemisfério esquerdo, da razão, da lógica. Já a forma se assenta mais no lado direito, da emoção, da sensibilidade e da criatividade.

É evidente que ambos são indispensáveis às boas falas. Uma fala sem conteúdo é um discurso sem mensagem, sem consistência. Por sua vez, uma comunicação sem a forma adequada arrisca o orador a não atrair e manter a atenção dos ouvintes.

 

O equilíbrio entre esses dois fatores é fundamental para o bom sucesso de toda e qualquer comunicação.

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

www.jboliveira.com.br

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