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Silêncio...  

 

 

 

J. B. Oliveira

 

                                                                                                                                                           

 

O silêncio é vocábulo masculino.

 

A fala é palavra feminina.

 

Isso tem alguma consequência ou vinculação?

 

Por mera coincidência ou não, tudo leva a crer que há, sim, vinculação dos termos com os gêneros!

 

O homem – em princípio – é mais dado ao pouco uso da fala. Se estiver preocupado, encucado com alguma coisa, sua tendência natural é o mutismo. Principalmente se as relações de trabalho, do “ganha-pão”, estão envolvidas. Ele chega em casa sorumbático e mais eloquente do que uma múmia. E quando a mulher – que já percebeu que há problema no ar – se dirige a ele e pergunta o que está havendo, se algo o está preocupando, as respostas são sempre murmuradas em monossílabos. Na verdade, o que ele quer é aquilo que com sua voz marcante e característica o velho Tim Maia cantava: “Eu quero sossego”! Aliás, a composição é singular: são quatro linhas com algumas palavras diferentes, e o resto é a repetição quase ao infinito da frase acima. É assim:

 

“Ora bolas, não me amole

 

Com esse papo de emprego

 

Não está vendo, não estou nessa

 

O que eu quero?

 

Sossego, eu quero sossego

 

O que eu quero? Sossego!”

 

Esse é ele.

 

Já ela tem comportamento totalmente diverso. Diante de um problema, a coisa que mais faz é falar! As palavras são para ela é uma forma de catarse! As palavras ajudam-na a “desencanar” e a encontrar caminhos para a solução do impasse...

 

E a verdade é que a mulher está certa! A exteriorização das preocupações é meio caminho andado para resolvê-las, na medida em que as retira do campo meramente mental, etéreo, incorpóreo e lhes dá forma e consistência materiais, tornando-as audíveis!

 

Principalmente se ELE está no centro da questão.

 

O problema é que o homem, para quem esse sistema é totalmente estranho, não o consegue assimilar e acompanhar porque, via de regra, o processo de fala da mulher frente a esse tipo de problema é extremamente rápido e versátil: ela vai “de alhos a bugalhos” em segundos, e dispara palavras como uma metralhadora (na mão de macaco). E aí, olha para ele, extático, mudo e pergunta: “ e o senhor não vai responder nada? ”

 

Ocorre que ele simplesmente não sabe o quê nem sobre o quê responder, tantas foram as coisas sobre a quais ela falou!

 

E também pouco importa, porque o que ela quer mesmo é falar, exteriorizar suas “neuras”, botar pra fora tensões e preocupações... e, às vezes, como na canção de Erasmo: “brigas, só pra depois, ganhar mil carinhos de mim...”

 

O que é importante é que – ele calando e ela falando – buscam um meio de se acertarem, de unirem seus caminhos rumo à boa convivência sentimental, pois “só pelo amor vale a vida”!

 

 

 

 

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

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