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       EDUCAÇÃO: OBJETIVOS E RECURSOS. E NOSSA REALIDADE.

 

 

*J. B. Oliveira

 

 Vem de longe a preocupação com a educação. O quinto livro da Bíblia, Deuteronômio, cuja autoria é atribuída a Moisés (que viveu por volta de 1.250 a.C.), traz, no capítulo 6, versículos 6 e 7, estas recomendações: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração. E as transmitirás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”. O único meio educacional de então era o lar, a família. E funcionava! Com o passar do tempo e as inexoráveis modificações impostas pela “evolução” da civilização humana, esse eixo se desloca da família para a “área especializada”: os educadores, a escola. Funciona?

Em muitos países, sim!

De todas as nações atingidas pelo flagelo da Segunda Guerra Mundial, nenhuma foi mais prejudicada que o Japão. Suas perdas se estenderam dos danos materiais e financeiros aos humanos, morais e psicológicos. Foi o único país a sofrer a desgraça de dois bombardeios atômicos, de que resultou um saldo de mortes que oscila entre 140 e 220 mil pessoas. Isso, em 1.945. Apenas seis décadas após, o Japão chegou a figurar como a segunda maior economia do mundo! A razão principal dessa fantástica mudança? O país priorizou a educação!

Em memorável palestra em São Paulo, a que tive a honra de assistir, Akihiro Nakae, Cônsul do Japão no Brasil (autor do livro “Vale a pena lutar pelo Brasil... na visão de um cônsul”) dizia: “Em meu país, se estiverem reunidos profissionais das mais diversas áreas, como o médico, o engenheiro, o diplomata, o advogado e o professor, este último será reverenciado por todos e terá precedência sobre os demais. Eles sabem que se são o que são, devem-no ao Professor, e não se esquecem disso”. Na segunda edição da obra, em 1992, acham-se estabelecidas algumas comparações entre os dois países: “No Japão, o PNB per capita é de US$ 23.296 e no Brasil de US$ 2.059. O PNB total do Japão é de US$ 3 trilhões, enquanto o do Brasil é de cerca de US$ 297 bilhões”. “No país existe 1,1 milhão de professores do primeiro grau, mas 6% destes professores têm instrução de primeiro grau incompleto e 13% têm primeiro grau completo. No Nordeste, o índice dos professores com até o primeiro grau incompleto é de 30%. No país, os professores com primeiro grau incompleto totalizam 74 mil. A instrução média dos professores é de 11,4 anos. Segundo os dados mencionados, podemos observar que o investimento educacional é muito pouco. E isso é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento. Esse problema não causa apenas falta de volume de conhecimento, mas tem grande influência no pensamento lógico e na Filosofia. No Brasil, nota-se uma constante falta de verbas destinadas à Educação, especialmente para o ensino básico.”

No Brasil, portanto, o sistema educacional implantado NÃO FUNCIONA!

Apesar de nossa Carta Magna de 1988 – a “Constituição Cidadã” – rezar no artigo 205 da Seção I, do Capítulo III: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, não é isso que se verifica na prática. Caminhando nesse mesmo rumo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei federal n°. 9394/96) enuncia, em seu artigo 2° que “A educação... tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Meras falácias. E os testes comprovam essa triste realidade. O SAEB – Sistema Nacional de Avaliação Básica do Ministério da Educação, em teste de Português e Matemática para alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª do ensino médio constatou que, em Matemática, alunos da 4ª série, em uma escala de 0 a 500, obtiveram 182 pontos. Significa que além de dificuldade para somar, multiplicar, subtrair e dividir, eles não sabem sequer ver as horas em um relógio de ponteiros! Em Português, alunos da 8ª série atingiram 232 pontos, resultado que mostra que o aluno médio, aos 14 anos, tem sérios problemas de compreensão de texto!

Isso é a escola convencional brasileira. E a família? Bem, a família há muito tempo delegou a função de “educar” aos meios eletrônicos de comunicação: a TV e, agora, a Internet! Que – diga-se de passagem – se usadas corretamente, seriam excelentes fontes de ampliação e universalização do conhecimento. Isso porque ambas usam recursos atraentes, dinâmicos, lúdicos e até interativos. Mas, como as facas, se pegas pelo cabo têm um efeito; se pela lâmina, outro.

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

 

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

 

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

 

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