J. B. Oliveira

Alternativas. Na aviação e na Oratória...

 

J. B. Oliveira

Em meus cursos de Oratória e em palestras, valho-me, com frequência, de minha vivência em outras áreas, como em Jornalismo, em Direito e – especialmente – em Aviação, trazendo ensinamentos e experiências do distante e saudoso tempo em que fui Controlador de Voo, no então grandioso e maravilhoso (ainda é) Aeroporto de Congonhas! O de Guarulhos só veio a existir bem depois. Eu vivi a era da aviação romântica, que era, também, a “aviação a lenha”!

Em linguagem aeronáutica, alternativa é o aeroporto para o qual a aeronave se dirigirá, caso o de destino esteja interditado. Ao preencher um Plano de Voo, por exemplo, de São Paulo para o Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, para os íntimos – o comandante indicará dois outros aeroportos de alternativa. Suponhamos que sejam Vitória, no Espírito Santo e Salvador, na Bahia. O detalhe que nos importa colher é que o avião terá de possuir combustível para voar do aeroporto de partida – São Paulo – até o de destino – Galeão – daí até a alternativa mais distante indicada no plano de voo – Salvador – e mais 45 minutos!

(Exatamente a exigência não cumprida pelo voo 2933 da LaMia que transportava a equipe da Chapecoense de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para Medellin, na Colômbia, em 28 de novembro de 2016. A Despachante Célia Castedo Monastero apontou que o tempo de voo e a autonomia de combustível eram exatamente os mesmos: 4 horas e 22 minutos. Apesar disso, o avião foi autorizado a decolar. Posso assegurar que, no Brasil, isso NÃO teria acontecido. Se a Despachante tolerasse falta, o Controlador de Voo não aprovaria o plano em hipótese alguma. Não foi o que se passou em Santa Cruz de la Sierra, e todos sabem o que infelizmente, mas previsivelmente, aconteceu: 71 das 77 pessoas a bordo morreram!)

Que lição inferimos dessa norma aérea? Se o orador vai falar 30 minutos, ele deve ter “combustível” de qualidade para falar uma hora, pelo menos, sem enrolar os ouvintes. E nem se enrolar...! Seu material, portanto, tem de ser farto, rico, abundante. Mas deve – por ser tão precioso quanto o combustível da aviação – ser usado parcimoniosamente, na medida exata do necessário.

Pode acontecer o inverso: o comunicador se preparar para falar 60 minutos e, na hora “h”, darem-lhe apenas 15! (É o tempo regulamentar do Rotary, e é o “quarto de hora” tradicional da Maçonaria). Ora, o orador tem de ter habilidade tanto para ampliar sua fala, sem torná-la repetitiva e enfadonha, como para encurtá-la, sem truncar-lhe o sentido nem prejudicar-lhe o conteúdo. Ele deve estar preparado para falar mais, ou falar menos, de acordo com alguma eventual alteração do programa. Se, por exemplo, um diretor da organização resolver falar, toda a cronometragem irá para o brejo! (Descobri que só dois tipos de diretores: os que falam muito e... os que já morreram!)

Mas, como fazer para estar preparado para essa situação inesperada?
É simples. Separe a essência – aquilo que você tem de falar, como dizia um vereador de minha terra: “haja o que hajar”, isto é, que não pode deixar de ser dito – do complemento, que é o que vai ser dosado de acordo com o tempo disponível. Ao proceder à nítida separação entre a essência e o complemento, o orador estará apto tanto para encurtar sua fala, cingindo-se apenas ao essencial, como para alongá-la, inserindo detalhes, ilustrações, histórias, reminiscências e que tais, presentes nos “tanques de reserva” do combustível verbal!

Devem ser previstas também outras circunstâncias adversas, como a incompatibilidade do pen-drive com o equipamento de PowerPoint ou de projeção ou ainda a possibilidade de o aparelho ter um tilt, ou o som pifar. Ou até mesmo de haver pane elétrica e tudo ficar às escuras (já me aconteceu isso mais de uma vez). Para qualquer emergência desse último grupo, é importante lembrar: Toda essa parafernália responde pelo nome de “Auxílio audiovisual”! É, pois, mero auxílio, de natureza subsidiária, complementar. O importante, o indispensável, o essencial mesmo é VOCÊ!

 

*J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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