Geraldo Nunes, jornalista e memorialista,
integra a Academia Paulista de História.
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Em novo livro Gilles Lapouge declara seu amor ao Brasil

Gilles Lapouge, é um jornalista francês que trabalha para o Estadão em Paris e conhece o Brasil mais do que muitos brasileiros, porque viaja por terras tupiniquins há mais de 60 anos.

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Sua contratação pelo jornal O Estado de São Paulo aconteceu em 1951, quando ele tinha 27 anos, hoje ele está com 92, e quem lhe ofereceu o emprego foi Júlio Mesquita Filho, que queria ter no Brasil um jornalista francês para escrever sobre economia e traçar quadros comparativos entre Europa e Brasil. Lapouge aceitou o convite, se mudou para cá e passou a visitar os lugares recomendados pelo editor, colocando em cada um deles a visão social e econômica pelo ponto de vista de quem via o país pela primeira vez.

Suas viagens pelo Brasil começaram na região sul e assim foi até chegar à região amazônica. Depois passou a fazer reportagens em séries especiais, sendo a que mais lhe traz recordações foi uma em que precisou viajar à África, no final da década de 1950, para comparar a qualidade e o preço do café produzido naquele continente com o café brasileiro.

“Naquela época a África se apresentava como forte concorrente do Brasil na exportação do café e lá fui eu visitar a Nigéria, o Senegal e outros países para comparar a qualidade e o preços no mercado internacional, em comparação ao Brasil”, informa Lapouge, ao recordar que anos foram passando e ele precisou voltar a viver na França por questões familiares. Mesmo assim o jornal preferiu mantê-lo usando seu trabalho na condição de correspondente em Paris.

1418437705468 temporarioMas, vez por outra, Gilles Lapouge escapava até o Brasil para mais viagens, afinal o país havia conquistado seu coração. Agora ele voltou em uma nova visita para o lançamento da versão em português de seu livro que leva o título, “Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil”, ao qual define como “um encontro amoroso de um escritor com seu assunto favorito”.

Gilles Lapouge, nasceu em 1923 em Digne-les-Bains, uma cidade francesa que guarda em suas atrações as águas termais que justificam a tradução do nome para “O Banho Digno”. Passou a sua infância na Argélia, onde o pai era militar. Estudou primeiro história e geografia, antes de se tornar jornalista. Ele calcula ter escrito para o Estadão, o equivalente a 60 volumes de uma enciclopédia de histórias completas.

O “Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil” foi publicado pela primeira vez na França há dois anos despertando muito interesse do público. Agora, a edição brasileira chega ampliada porque em todas as oportunidades que Lapouge vem ao nosso país, procura visitar alguma região do Brasil onde ainda não foi. O anseio por viajar está no fato de que o Brasil sempre o surpreendeu, por vezes o frustrou, mas nunca o decepcionou.

 

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“Este dicionário é para trazer ao leitor a possibilidade de ver o Brasil, suas florestas do princípio do mundo, seus eldorados, seus desertos abrasadores, a doçura e a crueldade de seus habitantes, a luxúria do Rio, de Brasília, da Bahia, de São Luís, suas festas e sambas, os peixes fascinantes da Amazônia, a aventura da borracha, o café e a madeira escarlate chamada Pau-Brasil”, avalia o autor quase recitando.

“Como frequento este país regularmente, eu desenhei a capa do livro com as memórias do que achei bonito ou me surpreendeu na primeira viagem de 1951. Procuro falar dos encantos que vi em diversos lugares, estejam eles próximos ou distantes da vida cotidiana do leitor”.
Gilles Lapouge descreve ainda os pombos e as favelas e fala do Brasil de hoje dividido entre o horror das periferias sem segurança e a impaciência do povo com os seus governantes, “talvez porque saiba que agora de fato está no comando de seu próprio futuro”, vaticina.

O novo “Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil”, é um lançamento do selo Amarilys, da Editora Manole. Está disponível nas principais livrarias do país ao custo de R$ 59,00.

Querendo ouvir a integra da entrevista com Gilles Lapouge, copie e cole o link abaixo. Ela se encontra no terceiro bloco do programa Estadão Acervo que vai ao ar pela Rádio Estadão.

(http://radio.estadao.com.br/ audios/detalhe/radio-estadao,ouca-a-integra-do-estadao-acervo,394911).

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