Geraldo Nunes, jornalista e memorialista,
integra a Academia Paulista de História.
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Maria Bethânia: quinta melhor voz da MPB em todos os tempos

No original o nome Maria Betânia, não leva a letra h, tendo se tornado conhecido por representar uma personagem bíblica citada no Novo Testamento como a irmã de Lázaro, o ressuscitado por Cristo

Foi a grande homenageada do Prêmio da Musica Brasileira 2015. O público se emocionou e aplaudiu Bethânia de pé no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ela fez aniversário no dia 18 de junho ao mesmo tempo em que comemora 50 anos de carreira. Nascida em Santo Amaro da Purificação, Maria Bethânia Viana Teles Veloso, é filha do seu Zeca, mais conhecido por ‘Onça’, funcionário dos Correios e Telégrafos. Sua mãe, Claudionor Viana, era querida Dona Canô, que deu a luz a essa filha num sobrado da Rua Direita de Santo Amaro.

Na atualidade é um nome relativamente comum no Brasil graças a essa cantora muito querida pelo público e considerada a quinta melhor voz da Música Brasileira em todos os tempos, conforme a revista Rolling Stone. Bethânia é irmã de Caetano Veloso, cantor reconhecido nacional e internacionalmente e mais seis irmãos. Foi o mano Caetano quem escolheu o nome dela, inspirado no sucesso que ouvia no rádio, com três anos de idade e já lhe chamava a atenção, a música Maria Betânia, de Capiba, cantada por Nélson Gonçalves.

Cantando “Carcará”, de João do Valle, Bethânia desperta a atenção da crítica e do público e sua trajetória começa a se consagrar.Ainda menina, Bethânia desejava subir aos palcos não para cantar e sim interpretar, mas aos poucos a jovem foi entrando em contato as atividades culturais de Salvador, para onde se mudou em 1960 e preferiu seguir os rumos da música. A cena inicial de sua carreira é na própria Universidade Federal da Bahia onde ela sobe pela primeira vez os palcos, para interpretar uma canção de Ataulfo Alves - “Errei, Erramos”- sendo aplaudida de pé, mas ainda não era uma cantora profissional.

Sua interpretação a aproxima de outros estudantes como Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, mal sabendo que eles a ajudariam escrever um novo capítulo na história da Música Popular Brasileira. Eram jovens que cantavam inspirados pela Bossa Nova e pelo poeta Vinicius de Moraes, mas com gosto e questionamento aguçado.

Caetano Veloso foi chamado em 1963, para compor a trilha musical da peça “O Boca de Ouro”, de Nélson Rodrigues e no ano de 1965, mais especificamente no dia 13 de fevereiro, Bethânia é convidada para substituir Nara Leão, que ficara doente, no espetáculo Opinião, concebido por Oduvaldo Vianna Filho.

Cantando “Carcará”, de João do Valle, sua participação desperta a atenção da crítica e do público e sua trajetória começa a se consagrar. Nascia naquele momento a grande estrela da música brasileira, convocada em seguida pela gravadora RCA que ajuda a fazer dela uma das intérpretes mais importantes do Brasil por saber resgatar, em nova roupagem, sucessos de antigos compositores como Noel Rosa, de quem gravou “Três Apitos”. Também o conterrâneo Dorival Caymmi seria homenageado com a gravação de “Sábado em Copacabana”.

Encontro de Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso no documentário Os Doces Bárbaros.Maria Bethânia é a voz feminina que mais vendeu discos nos anos 1970. A década começa com ela participando de um filme, ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues. Depois vendeu mais de um milhão de cópias com seu LP “Álibi”, de 1978. Dois anos antes gravou “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque, com quem lançaria um disco ao vivo.

Todas essas realizações foram de grande sucesso, mas a artista em nenhum perdeu o interesse em declamar durante os shows, o que acabou fazendo com “Carta de Amor”, de Fernando Pessoa. Em 1979 grava “Grito de Alerta” de Gonzaguinha, eternizada pelos ouvintes da música com o codinome “Explode Coração”.

Durante toda a sua carreira Maria Bethânia sempre foi muito elogiada por Roberto Carlos. Dele, Bethânia gravou um CD inteiro só com canções que fizeram sucesso na voz do Rei e com ela, o interesse foi tamanho que as cópias se esgotavam a cada novo lançamento. Para atender aos fãs, shows e mais shows foram realizados em todo o Brasil com a diva convidando artistas para cantar com ela, entre os quais o parceiro do Rei, Erasmo Carlos. “Fera Ferida”, uma das faixas do CD “As canções que você fez para mim”, acabou virando tema de novela.

031009-01a temporarioQuando Roberto Carlos, completou 50 anos de carreira, decidiu promover um show com várias cantoras no teatro municipal em São Paulo. Estranhamente o nome de Maria Bethânia não foi anunciado e a explicação foi que o patrocinador dos shows dela era de um banco e o de Roberto outro. Por isso ela não pode participar deste encontro.

Foi uma pena e daria para falar muito mais sobre Maria Bethania, homenageada maior da recente entrega do Prêmio da Musica Brasileira 2015, em 10 de junho. Na oportunidade, comemorando os 50 anos de carreira, Maria Bethânia cantou, dançou, sambou e agradeceu. O público se emocionou e aplaudiu Bethânia de pé no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

(*) Geraldo Nunes, jornalista e memorialista, integra a Academia Paulista de História. (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).