Descubra o que São Paulo perdeu visitando acervo digital

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A escultura Mãe, do artista plástico Caetano Fraccarolli, deveria estar na parte baixa da praça, próxima ao espelho d’água, rodeada de grama, “como se brotasse da terra” e não no alto da área circundada pela calçada de concreto. Mas ficou assim e lá está até agora.

A digitalização do arquivo do jornal O Estado de São Paulo está permitindo restituir o histórico de propriedades e lugares que São Paulo perdeu por força do progresso ou por interesses imobiliários. Dois exemplos são os observatórios localizados na Avenida Paulista e em Higienópolis. O Observatório Meteorológico de São Paulo que funcionou na Paulista, foi inaugurado em 30 de abril de 1912, e sua localização se dava onde hoje está o MASP – Museu de Arte de São Paulo, existindo ao lado o Belvedere, o mirante que proporcionava a visão de toda a região central que obrigou mais tarde Lina Bo Bardi a construir um prédio com o maior vão livre do mundo até então. Instalado a 825 metros acima do mar, o observatório estava sob o comando de José Nunes Belfort de Mattos, chefe do Serviço Meteorológico e Astronômico do Estado de São Paulo.Belvedere, o mirante que proporcionava a visão de toda a região central que obrigou mais tarde Lina Bo Bardi a construir um prédio com o maior vão livre do mundo até então.

O Estado de S. Paulo - 1/5/1912
Mas o crescimento da cidade e em especial da Avenida Paulista transformou a região e já no final da década de 1920, em um ambiente inadequado para o desenvolvimento dos estudos, o observatório foi desativado, em 1936. Seis anos antes o Estadão publicava uma reportagem sobre os preparativos para a construção de um novo observatório e em 1932 foram construídas novas instalações no Parque da Água Funda, ou Parque do Estado que permanecem em funcionamento.38 temporario
O Estado de S. Paulo- 23/01/1932
O observatório que funcionou na Praça Buenos Aires, em Higienópolis, servia também de mirante porque dava para se observar toda a extensão do Vale do Pacaembu, um rio que descia a céu aberto na direção do Tietê. Como tal funcionou até receber um dos primeiros telescópios de São Paulo, no início da década de 1930. À partir daí, passou a ser usado para as aulas de mecânica celeste da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (USP), sendo desativado em 1964 e posteriormente demolido sendo colocado em seu lugar uma escultura com o nome Mãe, do artista plástico Caetano Fraccarolli. A estátua foi a primeira colocada em um concurso promovido pelos Diários e Emissoras Associados, esculpida em um bloco de mármore de 20 toneladas. Sua instalação, porém, se daria somente em 13 de maio de 1970. Na ocasião, foi depositado um pergaminho ao pé da escultura. Para Fraccarolli, a escultura deveria estar na parte baixa da praça, próxima ao espelho d’água, rodeada de grama, “como se brotasse da terra” e não no alto da área circundada pela calçada de concreto. Mas ficou assim e lá está até agora.

(*) Geraldo Nunes, jornalista e memorialista, integra a Academia Paulista de História. (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).