Crise dobra evasão de alunos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Os técnicos administrativos da universidade estão em greve. Eles estão sem os salários de abril e maio e também não receberam o décimo terceiro salário de 2016.

Com três meses de pagamentos atrasados para técnicos e professores e um calendário acadêmico que ainda não saiu de 2016, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) viu dobrar a evasão de alunos no ano passado

Segundo afirmou o reitor da universidade, Ruy Garcia Marques, a percepção dos problemas na instituição já afeta também a busca de candidatos ao vestibular de 2018. “Até em casa, meu filho, de 16 anos, me diz que não sabe se quer ir para a Uerj”, lamenta o reitor, que defende a instituição, considerada uma das mais conceituadas do país.
Todo ano, segundo Ruy Garcia, 300 a 400 alunos deixam a universidade, número que dobrou em 2016. Ele chamou a atenção para o impacto dos atrasos de pagamentos na permanência dos alunos bolsistas na instituição, que é pioneira em ações afirmativas no país. Cerca 10 mil alunos cotistas e não cotistas em dificuldades financeiras recebem mensalmente um auxílio de R$ 450. “São bolsas pequenas, mas absolutamente indispensáveis para a locomoção e a frequência deles na universidade”.
Atualmente, os técnicos administrativos da universidade estão em greve. Eles estão sem os salários de abril e maio e também não receberam o décimo terceiro salário de 2016. Os professores continuam dando aulas de acordo com suas possibilidades de deslocamento para a universidade, mas a situação salarial é a mesma. “Muitos alunos não estão conseguindo comparecer às aulas, assim como docentes, que estão vendendo carro, voltando a morar com seus pais. Técnicos administrativos [vivem] a mesma coisa, pegam empréstimos. Está afetando todos os segmentos”.
Os problemas de pagamento põem em risco o funcionamento de serviços prestados à sociedade, como o atendimento de psicologia e odontologia no Hospital Universitário Pedro Ernesto. O reitor afirma que há risco de que esses serviços sejam suspensos, assim como pesquisas que dependem de recursos estaduais para sua manutenção. “A pesquisa não é uma coisa que a gente possa interromper aqui, e daqui a seis meses, quando as coisas melhorarem, a gente recomeça. Tem que recomeçar do zero.”
O governo do estado informou que a folha de pagamento deve ser regularizada em 45 dias, com a adesão do estado ao Plano de Recuperação Fiscal da União. Servidores estaduais da educação, da segurança pública, administração penitenciária e defesa civil devem receber os salários de abril e maio ainda hoje. A Uerj é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social (ABr).

ONU alerta para aumento da pobreza na América Latina

ONU alerta sobre aumento de desemprego na América Latina.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou um documento em que alerta que, entre 25 milhões e 30 milhões de pessoas que moram na América Latina, podem voltar à viver na pobreza se não houver um mudança nas políticas públicas de cada nação. O documento afirma que a recessão econômica que atinge o continente não é a única responsável pela “recaída de milhões” à linha da pobreza, mas aponta para a ausência da implantação de “políticas públicas de nova geração” como a maior responsável pelo problema.
A preocupação da entidade é, especialmente, com um terço das pessoas que saíram da condição de pobreza na América Latina desde 2003. “Muitos são jovens e mulheres com inserção no mercado de trabalho precário. Eles fazem parte de um grupo maior, de 220 milhões de pessoas (38%, quase dois em cada cinco latino-americanos) que estão vulneráveis: oficialmente não são pobres, mas tampouco conseguiram subir para a classe média”, diz o relatório.
De acordo com o Pnud, é “fundamental” que as políticas de cada país “fortaleçam os quatro fatores que impedem o retrocesso: proteção social, sistemas de cuidado, ativos físicos e financeiros (como um carro, casa própria, conta no banco). O crescimento econômico por si só, não basta. Nada que diminua os direitos das pessoas ou das comunidades ou que ameace a sustentabilidade ambiental pode ser considerado progresso”, diz ainda o documento.
Entre 2003 e 2013, 72 milhões de pessoas saíram da pobreza e 94 milhões entraram para a faixa da classe média. Isso aponta para que quase oito milhões de pessoas por ano, entre 2003 e 2008, e cinco milhões por ano, entre 2009 e 2014, saíram de condições extremas. No entanto, entre 2015 e 2016, “aumentou o número absoluto de pessoas pobres pela primeira vez na década” (ANSA).

Maduro envia carta ao Papa e pede mediação em crise

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta ao papa Francisco pedindo mediação na crise política que assola o país. Ela foi entregue ao núncio apostólico na nação latina, Aldo Giordani, pelo ministro venezuelano da Comunicação, Ernesto Villegas. Na carta, Maduro pede para o Papa ajudar a encontrar uma solução que pacifique a Venezuela e condena o uso de crianças em protestos, os quais chamou de “atos terroristas”.
Até aqui, a onda de manifestações contra o regime chavista já dura mais de 70 dias e deixou 69 mortos. O presidente havia anunciado no último domingo (11) que enviaria uma mensagem a Francisco para tentar atrair o Vaticano de volta às negociações. Em outubro passado, a Igreja e a Unasul chegaram a iniciar uma mediação, mas os diálogos foram congelados em dezembro, após a oposição ter acusado o governo de não manter sua palavra nas tratativas.
Na semana passada, o líder católico recebeu no Vaticano bispos da Conferência Episcopal Venezuelana, que lhe entregaram uma lista com o nome das pessoas mortas nas manifestações. Anteriormente, o arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, já havia acusado Maduro de usar a imagem do Papa para manipular o povo. A oposição alega que o presidente tinha se comprometido a abrir um corredor humanitário, tirar as restrições contra o Parlamento e libertar presos políticos. Já o governo diz que esses temas nunca fizeram parte das negociações (ANSA).

Campanha visa combater venda irregular de botijões de gás

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) lançou uma campanha de combate à venda irregular de botijões de gás na cidade de São Paulo. A iniciativa coordena ações de fiscalização com a divulgação de informações sobre os riscos da venda não autorizada aos consumidores. Para isto, foi elaborada uma cartilha sobre a forma de uso do gás liquefeito de petróleo (GLP) e a importância da manutenção e garantia oferecida pelas empresas autorizadas.
“Além disso, tem a questão da segurança da circunvizinhanças das empresas clandestinas, que armazenam botijões de gás sem ter as condições mínimas exigidas pela legislação”, acrescentou o chefe de fiscalização da ANP em São Paulo, Roberto Saldys. Ele destacou que para serem autorizadas a vender botijões, as empresas devem se adequar a uma série de normas que minimizam os riscos de acidentes.
Os estabelecimentos irregulares não oferecem a retaguarda necessária para lidar com o produto. “O risco é de vazamento de GLP, sem que alguém autorizado venha fazer a manutenção, corrigir esse erro ou defeito do botijão. Esse vazamento pode causar uma explosão ou incêndio, são casos muito comuns que acontecem”, enfatizou. Em 2016, o Corpo de Bombeiro registrou 3,7 mil casos de vazamento de GLP, com ou sem incêndio associado. Neste ano, já foram feitos 1,7 mil atendimentos envolvendo problemas com botijões de gás.
Para enfrentar a venda irregular, a ANP também quer incentivar os consumidores a denunciarem os pontos de venda não autorizados. De acordo com Saldys, os vendedores irregulares compram, em algum momento, de empresas credenciadas. São justamente esses pontos que a ANP quer identificar. “O nosso principal objetivo é descobrir quem fomenta o gás clandestino. Justamente é essa campanha que estamos fazendo” (ABr).

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