100 anos da estreia de Anita Malfatti e do modernismo no Brasil

Trabalhos de Anita Malfatti são mostrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) recebe obras de Anita Malfatti que despertaram reações apaixonadas da crítica quando foram exibidas pela primeira vez

“A única diferença reside em que nos manicômios essa arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica”, escreveu Monteiro Lobato, em 1917, sobre os trabalhos da artista, que havia voltado há pouco da Europa.
A mostra individual, que reuniu 53 obras, entre pinturas, gravuras e desenhos, foi percursora da Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, e que abriu as portas para as vanguardas artísticas no Brasil. Alguns desses trabalhos, elaborados durante os seis anos em que a artista esteve no exterior (Alemanha e Estados Unidos), e no ano de regresso ao Brasil, compõem a exposição ‘Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna’.
O conjunto, com 70 peças, pode ser visto até o dia 30 de abril no museu que fica no Parque Ibirapuera. Além dessa fase inicial da pintora, a mostra faz um recorte amplo da produção de Malfatti, dividida em três fases. A primeira, marcada pelo escândalo com a quebra de paradigmas, que levou, inclusive, à devolução de cinco trabalhos que haviam sido vendidos, após a publicação do artigo de Lobato no jornal ‘O Estado de S. Paulo’. Fazem parte desse momento pinturas famosas, como o Homem de Sete Cores (1915/16) e os óleo sobre tela O japonês e O farol.
Na segunda parte podem ser vistos trabalhos desenvolvidos durante os estudos da artista em Paris, como as pinturas a óleo Porto de Mônaco (1925) e Paisagem de Pirineus, além das aquarelas Veneza, Canal e Vista do Fort Antoine em Mônaco. A última parte da mostra traz a produção realizada a partir da década de 30, quando a artista fez diversos retratos de amigos e familiares. Há ainda paisagens interioranas, como em Trenzinho (1940), o Samba (1945) e Na Porta de Venda (ABr).

Governo anuncia reajustes para a merenda escolar

Reajustes anunciados ontem (8) são os primeiros na merenda escolar em 7 anos.

Os valores repassados pela União a estados e municípios para a complementação da merenda escolar terão agora seu primeiro reajuste após sete anos. O aumento foi anunciado pelo presidente Michel Temer e pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, em cerimônia no Palácio do Planalto. Os R$ 465 milhões a mais, a serem liberados por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) em 2017, beneficiarão 41 milhões de estudantes.
O reajuste será de 20% para alunos dos ensinos fundamental e médio, público que representa 71% dos atendidos pelo programa. Os demais terão aumento médio de 7%. Esses percentuais referem-se ao reajuste per capita/refeição a ser aplicado. O orçamento do Pnae para 2017 é de R$ 4,15 bilhões. Desse total, R$ 1,24 bilhão têm como destino a compra de alimentos produzidos por agricultores familiares. “Desde 2010 o valor da merenda não tinha qualquer reajuste repassado para os governos estaduais e municipais”, disse o ministro, ao abrir a cerimônia.
Segundo o MEC, os repasses aos municípios serão corrigidos acima de 10%. Para os destinados a municípios com até 20 mil habitantes, os repasses terão aumento de 15%. “Eles passarão a receber R$ 231 mil, enquanto os municípios com até 50 mil habitantes receberão R$ 429 mil [12% de reajuste]”, informou o ministro Mendonça Filho. Esses valores têm como referência 200 dias letivos por ano e serão repassados a cada 20 dias letivos.
Municípios com até 100 mil habitantes receberão R$ 993,4 mil; e os com até 500 mil habitantes, R$ 2,83 milhões, o que corresponde a reajustes de 12% e 13% respectivamente. O Pnae transfere recursos suplementares a estados e municípios, ao Distrito Federal e a escolas federais, com o objetivo de suprir as necessidades nutricionais dos alunos de toda a educação básica matriculados em escolas públicas, filantrópicas e comunitárias conveniadas.

Rival de Putin impedido de disputar eleições

Alexei Navalny, o principal opositor do presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi considerado culpado ontem (8) por um desfalque financeiro em uma empresa e afastado da política. Ele foi punido com uma pena suspensa de cinco anos de prisão. Além do opositor, que sempre se declarou inocente e vítima de perseguição política, a empresa madeireira Kirovles foi condenada a uma multa de 500 mil rublos (cerca de R$ 8,5 mil).
O julgamento feito pelo tribunal da província de Kirov é o segundo sobre o caso, já que no ano passado, o Supremo da Rússia anulou a audiência por considerar que houve falhas no processo. Navalny, 40 anos, é conhecido por fazer campanhas contra a corrupção do governo russo e tinha anunciado recentemente que faria campanha para concorrer à Presidência no ano que vem.
Pela Constituição, Putin tem o direito de concorrer a um segundo mandato de seis anos e o rival seria o principal opositor ao mandatário. Na política, ele já concorreu à Prefeitura de Moscou em 2013. Apesar da derrota, ele surpreendeu por conquistar cerca de 25% dos votos (ANSA).

Papa faz apelo em nome de ‘irmãos’ muçulmanos

Papa defende os membros da etnia rohingya, grupo muçulmano perseguido no sudeste asiático.

O papa Francisco fez um apelo ontem (8) em defesa dos membros da etnia rohingya, grupo muçulmano que é alvo de perseguições em países do sudeste asiático, principalmente em Mianmar. Para escapar da repressão realizada pela maioria budista, esse povo busca proteção em Bangladesh, Malásia, Tailândia ou Indonésia, mas frequentemente encontra as portas dessas nações fechadas.
“Gostaria de rezar hoje pelos nossos irmãos e irmãs rohingya, que são expulsos de Mianmar e vão de um lado a outro porque não os querem. São bons, não são cristãos, são gente pacífica, nossos irmãos e irmãs. Há anos que sofrem, são torturados, assassinados, simplesmente por causa de sua fé muçulmana”, disse Francisco. O apelo foi feito no dia da santa Josefina Bakhita, que viveu como imigrante na Itália após ter sido escravizada na África.
Nos últimos meses, dezenas de milhares de rohingyas já fugiram de Mianmar rumo a Bangladesh, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Também na audiência geral, o Papa cobrou dos governos uma ação mais firme contra o tráfico de seres humanos. “Encorajo todos que ajudem os menores escravizados e abusados a se libertarem de tal opressão. Desejo que todos os que tiverem responsabilidade de governo combatam essa praga”, declarou (ANSA).

‘Propinas continuam existindo’, diz promotor da Mãos Limpas

Ex-promotor Antonio Di Pietro.

Responsável pela Operação Mãos Limpas, que desbaratou um vasto esquema de corrupção nos principais partidos da Itália, o ex-promotor Antonio Di Pietro afirmou ontem (8) que, passados 25 anos do início do inquérito, o sistema de propinas no poder público continua existindo. Em programa na rádio universitária “Cusano Campus”, em Roma, Di Pietro disse que há “muita amargura” na opinião pública sobre os efeitos da investigação conduzida por ele e “muita desilusão” sobre aquilo que se poderia fazer para combater a corrupção.
“A prática de pagar propinas ainda está aqui, como antes. Houve um diagnóstico 25 anos atrás, não em um hospital, mas na Procuradoria da República, que identificou um tumor social que empobreceu os caixas do Estado, arruinou a livre concorrência, brutalizou a democracia política”, declarou. Contudo, segundo o ex-promotor, ao invés de tratar do “câncer”, a Itália preferiu “curar os médicos”. “Agora o tumor se tornou uma metástase”, disse Di Pietro, antes de propor a criação de uma “comissão histórica” para analisar os desdobramentos da Operação Mãos Limpas.
“Faço uma proposta: por que não fazer uma análise histórica daquilo que aconteceu? Queremos nos perguntar por que pararam a ‘Mãos Limpas’, quem a parou e aonde ela poderia ter chegado?”, questionou. Ao todo, os promotores obtiveram 1,2 mil condenações por corrupção e crimes correlatos e provocaram um terremoto político no país. A “Mãos Limpas” serviu de inspiração para a Operação Lava Jato, que é conduzida pelo juiz Sérgio Moro e investiga ilegalidades envolvendo a Petrobras e os mais elevados escalões dos últimos governos do PT, incluindo o ex-presidente Lula (ANSA).

 
 
 
Mais Lidas