Jovem, negra e mãe solteira: a dramática situação de quem dá à luz na prisão

Destas gravidezes, duas de cada três  foram indesejadas. De todas as mulheres grávidas, 19% não ficaram satisfeitas com a notícia da chegada de um filho.A mulher que dá à luz na prisão é jovem, negra e mãe solteira. Inédito, o censo carcerário de mães presas feito pela Fundação Oswaldo Cruz e pelo Ministério da Saúde confirmou um perfil socioeconômico observável nas unidades prisionais femininas

A pesquisa revelou também o drama da experiência de estar grávida e parir em uma prisão brasileira. Uma em cada três mulheres foi algemada após ser internada para o parto, apurou a pesquisa. A situação é acompanhada pela presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do STF, ministra Cármen Lúcia, a partir de informações dos presidentes de tribunais de Justiça.
Entre agosto de 2012 e janeiro de 2014, os pesquisadores responsáveis pelo estudo “Saúde materno-infantil nas prisões” visitaram 24 estados brasileiros. Ouviram pessoalmente 495 mulheres presas, no ambiente prisional. Apenas 241 presas que deram à luz na cadeia e que tinham filhos menores de um ano foram consideradas como amostra do estudo. Desse grupo, 67% tinham entre 20 e 29 anos. A maioria das mulheres era negra – 57% se declararam pardas e 13%, pretas – e mãe solteira (56% da amostra).
A vulnerabilidade social do grupo das mulheres presas, especialmente as mães que tiveram filhos na cadeia, também foi constatada pelo fato de 30% delas chefiarem suas famílias – 23% delas tinham famílias chefiadas pelas próprias mães. Praticamente metade delas (48%) não tinha concluído o ensino fundamental, ou seja, uma em cada duas mulheres presas entrevistadas estudou sete anos ou menos.
De acordo com os resultados do estudo, a vulnerabilidade social delas foi agravada durante a experiência da parição. Embora a maioria delas (60%) tenha sido atendida em até meia hora após o início do trabalho de parto, apenas 10% das famílias das presas foram avisadas. Uma em cada três mulheres foi levada ao hospital em viatura policial. A estadia na maternidade também foi problemática, uma vez que 36% das mulheres ouvidas relataram que foram algemadas em algum momento da internação. Maus tratos ou violência – verbal e psicológica – foram praticadas por profissionais da saúde em 16% dos casos e por agentes penitenciários em 14% dos relatos (Ag.CNJ de Notícias).

Cresceu o faturamento real do comércio varejista na capital

O bom desempenho das vendas já começa a surtir efeitos no mercado de trabalho.

As vendas do varejo na capital paulista cresceram 4% em junho, em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando a série histórica a partir de 2008, foi a quarta maior cifra registrada para um mês de junho. O comércio varejista faturou R$ 15,6 bilhões no mês, R$ 600 milhões a mais do que o apurado em junho de 2016. O bom desempenho das vendas já começa a surtir efeitos no mercado de trabalho. Enquanto no primeiro trimestre o varejo paulistano fechou quase 7 mil postos de trabalho, em abril, maio e junho o setor abriu 1.087 novas vagas com carteira assinada.
Com esses resultados, a taxa acumulada no primeiro semestre do ano foi de 4,8%, que, em termos reais, representa um crescimento de R$ 4,2 bilhões em comparação ao apurado entre janeiro e junho do ano passado. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, realizada mensalmente pela FecomercioSP, com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado.
Seis das nove atividades analisadas apresentaram crescimento em junho, na comparação com o mesmo mês de 2016, com destaque para os segmentos de concessionárias de veículos (10,2%); farmácias e perfumarias (10,1%); e supermercados (1,7%), que em conjunto contribuíram com 3 pontos porcentuais (p.p.) para o resultado geral. No sentido inverso, as quedas foram observadas nas atividades de lojas de móveis e decoração (-4,2%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (-3%); e materiais de construção (-0,7%).
Todas as atividades varejistas na cidade de São Paulo, à exceção de vestuário, encerraram o primeiro semestre de 2017 com taxas de vendas em crescimento, como ocorre no Estado, mas na capital a performance é muito superior: 4,8% contra 3,6% no Estado. A taxa acumulada de 12 meses, o melhor indicador da trajetória cíclica das séries, mostra um crescimento de 4%, o seu maior patamar dos últimos três anos (AI/FecomercioSP).

Revista ‘Rolling Stone’ é colocada à venda

A revista “Rolling Stone”, um dos títulos mais importantes da imprensa dos Estados Unidos e com quase meio século de história, foi colocada à venda devido a problemas financeiros e cenários incertos sobre o futuro da mídia impressa. A companhia Wenner Media, que detém os direitos do título, está disposta a ceder sua cota de controle, já que enfrenta dificuldades econômicas, informou ontem (18) o jornal “The New York Times”.
Jann e Gus Wenner, presidente e chief operating officer da “Rolling Stone”, respectivamente, devem permanecer à frente das decisões da revista, mas admitiram que a decisão final cabe ao novo proprietário. Criada em 1967, no auge do rock’n’roll, a Rolling Stone participou das principais manchetes dos EUA, além de também ser referência no jornalismo político (ANSA).

Museus de todo o país têm programação especial nesta semana

O Museu Nacional, da UFRJ, que vai completar 200 anos no ano que vem.

Debates, projeção de filmes com audiodescrição, lançamento de publicações e diversas exposições temporárias são algumas das atrações da 11ª Primavera dos Museus, que teve início ontem (18), em todo o país. Ao longo da semana, museus e instituições culturais abrirão as portas com uma programação especial, que tem como foco o tema Museus e suas Memórias. Serão realizadas 2,5 mil atividades culturais em 417 cidades. Para saber o que vai acontecer em cada cidade, basta acessar o guia online.
Neste ano, a Primavera dos Museus, que é coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), conta com a participação 932 instituições culturais. O número de participantes é o maior desde que foi criada a semana, em 2007. Segundo o Ibram, de lá para cá houve crescimento de 15% no número de instituições participantes. A expectativa é que o número continue crescendo nas próximas edições, já que o instituto tem mais de 3,7 mil museus mapeados no Brasil.
Ao falar sobre Museus e suas Memórias, a organização do evento também pretende chamar atenção para o aniversário de 200 anos da criação da primeira instituição do gênero brasileira, o Museu Nacional/UFRJ no Rio de Janeiro, que será comemorado no ano que vem. Além disso, “um dos objetivos é que museus e demais instituições culturais participantes possam ‘olhar para dentro’ e refletir, junto com os grupos sociais presentes nos territórios nos quais estão inseridos, sobre os processos e resultados de sua própria constituição e produção”, diz o texto explicativo divulgado pelos organizadores (ABr).

Protesto contra absolvição de agente deixa 80 presos nos EUA

Mais de 80 pessoas foram detidas pelas autoridades norte-americanas após a terceira noite de protestos em Saint Louis, em Missouri, nos Estados Unidos, contra a absolvição de um ex-policial branco que matou um jovem negro em 2011. A onda de protesto teve início na sexta-feira (15) quando um juiz de St. Louis absolveu o ex-agente Jason Stockley das acusações do assassinato de Anthony Lamar Smith, suposto traficante de drogas que morreu após uma perseguição policial em 2011.
Na ocasião, o ex-agente disse que viu Smith segurar uma arma. No entanto, o objeto não aparece nas imagens gravadas por testemunhas. Elas dizem que ele atirou apenas porque se sentiu ameaçado. Promotores afirmaram que o agente colocou uma arma no carro da vítima. Stockley deixou o Departamento de Polícia Metropolitana de St. Louis em 2013. A família de Smith ganhou um processo de homicídio culposo contra a cidade de US$ 900 mil no mesmo ano.
Para o juiz Timothy Wilson, a acusação apenas mostrou uma “dúvida razoável”. Após a decisão favorável ao réu, centenas de pessoas tomaram às ruas da cidade e foram até o tribunal.Os militantes gritaram palavras de ordem como “sem justiça, sem paz” e chamaram Stockley de assassino. Um grupo informal de ativistas, conhecido como Ferguson Frontline, organizou os protestos. Segundo os militantes, a absolvição do policial é racismo institucional, que permite que agentes sejam inocentados em vários casos de morte de homens negros desarmados.
Por conta dos confrontos na região, a banda irlandesa U2, que se apresentaria em St. Louis no último sábado (16), cancelou o evento. Já no domingo (17), foi a vez do cantor Ed Sheeran desistir de seu show no Scottrade Center por motivos de segurança. Esta não é a primeira vez que os cidadãos norte-americanos fazem protestos por questões raciais. Recentemente, a cidade de Charlottesville, na Virgínia, foi palco de uma manifestação, que deixou três pessoas mortas (ANSA).