Eleição de Trump, Brexit, e outros fatos marcantes no mundo em 2016

O ano de 2016 foi repleto de acontecimentos nos Estados Unidos, mas o maior de todos sem dúvidas foi a surpreendente eleição para presidente do bilionário Donald Trump, do Partido Republicano, derrotando a candidata democrata Hillary Clinton nas eleições de 8 de novembro. A eleição de Trump surpreendeu o mundo e os próprios americanos, já que as pesquisas internas apontavam para uma possível vitória de Clinton

David Maxwell/Ag.Lusa

Donald Trump discursa no encerramento da convenção do Partido Republicano em Cleveland.

Polêmico, acusado de xenófobo, sexista e racista e sem o apoio de vários líderes de seu próprio partido, Trump teve uma campanha recheada de declarações de efeito, muitas contrárias às políticas implementadas pelo presidente Barack Obama. De certo modo, o magnata expressou os anseios de parte da população americana, incomodada com a imigração crescente, a perda de empregos e a fuga de empresas com a globalização.

Tanto assim que a vitória de Trump se deveu em grande parte aos votos de estados do outrora próspero cinturão industrial dos EUA, onde houve grande desemprego nos últimos anos, como Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Agora, as escolhas de Trump para a sua equipe de governo vem sendo criticadas pela opinião pública e pela imprensa americana.

Cuba e EUA reatam
Antes de deixar a presidência, Barack Obama tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar, em maio, Hiroshima, no Japão, cidade devastada por uma bomba nuclear jogada por aviões americanos na 2ª Guerra Mundial. Ele também reatou as relações diplomáticas com Cuba e foi o primeiro presidente americano - em quase um século - a visitar Havana, em março. A abertura econômica com a ilha também possibilitou que, pela primeira vez em mais de 50 anos, um navio de cruzeiro dos EUA navegasse para Cuba em maio. E em 27 de setembro, Obama nomeou o primeiro embaixador americano para a ilha.

Tensões raciais
Primeira-ministra britânica, Theresa May, em discurso durante a conferência anual do Partido Conservador, em Birmingham.Os americanos viram também o acirramento das tensões raciais, que cresceram no país por conta do número cada vez maior de mortes de negros pela polícia, a impunidade dos policiais e a falta de políticas eficazes para acabar com o problema. Tudo isso provocou reações exacerbadas e deu força ao Movimento Black Lives Matter (Vidas de Negros Importam), movimento social focado na luta contra a violência sobre os afroamericanos.

O clima se tornou mais inflamado em julho, com ataques que mataram cinco policiais no Texas e três na Louisiana. O descontentamento da comunidade negra nos EUA não é infundado. Segundo pesquisas, negros têm até três vezes mais chances de serem mortos por policiais do que brancos.

No que se refere a desastres naturais, um destaque foi o Furacão Matthew, que atingiu os estados da Flórida, Geórgia e Carolina do Sul e do Norte em outubro, provocando inundação recorde. Outros problemas que vêm assustando os americanos e voltaram a se repetir em 2016, em várias ocasiões, foram os massacres e tiroteios provocados por atiradores em escolas e locais públicos, que mais uma vez fizeram várias vítimas, reacendendo o debate sobre o controle de armas no país.

Brexit
Fachada da Embaixada dos EUA em Havana, Cuba.Este ano, o Reino Unido decidiu pela saída do país da União Europeia. A população decidiu deixar o bloco em um referendo no dia 23 de junho deste ano, com 52% dos votos a favor da saída da União Europeia após 43 anos de participação. As nações que integram o Reino Unido são a Inglaterra, a Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido é o primeiro país a decidir sair da União Europeia desde a sua criação. O processo de saíde deve demorar dois anos.

Logo após a divulgação do resultado do referendo, o então primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a demissão. Cameron sempre se posicionou favorável a permanência do Reino Unido na UE afirmando que o Brexit poderia trazer graves consequências econômicas para o país.

Com a saída de David Cameron, Theresa May tomou posse como primeira-ministra do Reino Unido. Ela é a segunda mulher a ocupar o cargo, 26 anos após a saída de Margaret Thatcher do posto, e terá a tarefa de conduzir a saída do Reino Unido do bloco. May é conhecida por dizer algumas duras verdades sobre seus colegas e defender fortemente suas posições.
No mês passado, a Suprema Corte britânica decidiu que o governo sozinho não tem poder suficiente para invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula os passos que um país deve dar para deixar a UE. A Corte decidiu que o Parlamento precisa aprovar o pedido de saída da UE e solicitar a ativação do tratado. O processo foi iniciado após diversas ações serem impetradas na Justiça por grupos pró-UE.

Para aproximadamente 2,9 milhões de pessoas que fizeram suas vidas no Reino Unido nos últimos anos, a preocupação é se terão garantidos seus atuais direitos após o Brexit.

António Guterres foi eleito secretário-geral da ONU.Sai Ban Ki-moon, entra Guterres
Diante de uma crise migratória sem precedentes que afeta milhões de pessoas, o português António Guterres assumirá o posto de secretário-geral das Nações Unidas (ONU). Escolhido a partir de um processo sucessório inédito na ONU, Guterres traz na bagagem larga experiência de dez anos como alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados, a Acnur.
Ele assumirá o cargo, substituindo o sul-coreano Ban Ki-moon, em 1º de janeiro de 2017. O novo secretário-geral, de 67 anos, foi primeiro-ministro de Portugal, entre 1995 e 2002. Ban Ki-moon deixará o cargo, após seu segundo mandato de cinco anos. Embora não haja um número limite de mandatos, nenhum dos secretários anteriores permaneceu no cargo por mais de dois mandatos.

Migrações
Quase 7.200 migrantes e refugiados morreram ou desapareceram desde o início deste ano no mundo. O número, registrado até a primeira quinzena de dezembro, representa 20% a mais que em 2015. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), de um total de 7.189, 4.812 morreram ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Itália, Grécia, Chipre e Espanha. É uma média de 20 mortes por dia (ABr).