Ciclovias em expansão influenciam mercado imobiliário de São Paulo

Quanto mais perto o imóvel fica da ciclovia, mais valorizado ele é, aponta estudo do Núcleo de Economia Regional e Urbana

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Dado Nogueira/Jornal da USP

As ciclovias, devido à sua recente expansão em São Paulo, vêm sendo um tema muito debatido por urbanistas, economistas e especialistas de muitas áreas. O pesquisador Fábio Tieppo, do Núcleo de Economia Regional e Urbana da USP (Nereus), desenvolveu um estudo que trata da relação entre o preço dos imóveis de São Paulo e a expansão das vias para bicicleta pelo município.

No século 21, os investimentos em ciclovias vêm aumentando com o passar dos anos, diz o pesquisador, tanto por questões urbanísticas quanto ambientais, pois o uso das bicicletas no transporte diminui a quantidade de carros nas ruas e, consequentemente, a emissão de gases poluentes.

Para o aumento real do uso da bicicleta como transporte pelos cidadãos, o pesquisador apontou que não só o investimento em vias e infraestrutura para o transporte cicloviário é suficiente. É necessário que haja desestímulos ao uso dos automóveis, além dos incentivos à bicicleta, para que ocorra um aumento significativo.

Tieppo destacou também os benefícios e problemas trazidos pelo aumento do transporte por meio de bicicletas no meio urbano. Como prejuízos, citou o estreitamento de vias, o que pode criar ou aumentar congestionamentos de carros, e a redução de vagas, que pode reduzir o comércio em ruas que receberem ciclovias.

Os benefícios apontados são o custo mais baixo da mobilidade; incentivo à saúde, devido à atividade física; segurança, pela redução de acidentes; e qualidade de vida, trazida pela recreação, diminuição da poluição, etc.

Ciclovias 2 temproarioA apresentação trouxe dados da quilometragem de vias para bicicleta em grandes cidades desenvolvidas ao redor do globo. Nova York conta com 392 km de ciclovias construídas e mais 900 km planejados, e Chicago possui 160 km e planeja a construção de mais 800 km.

O pesquisador deu exemplos de cidades na Europa que tiveram resultados muito positivos com os investimentos no transporte cicloviário. A Holanda, país que conta com a maior porcentagem de viagens realizadas em bicicleta, registrou uma diminuição muito grande no número de acidentes de trânsito fatais, quase inversamente proporcional ao crescimento das viagens de bicicleta.

Pesquisas realizadas em São Paulo no ano de 2007 pela OD (Origem/Destino) – antes do incentivo às ciclovias, iniciado no ano de 2013 com o prefeito Fernando Haddad -, mostram que apenas 0,8% de todas as viagens em São Paulo eram feitas em bicicleta. Em 2014, juntamente ao aumento da malha cicloviária do município, o número de ciclistas cresceu 50%.

O aumento do número de pessoas usando a bicicleta e também da constância do uso, junto do crescente número de vias para bicicleta, teve impactos no mercado imobiliário. A pesquisa de Fábio Tieppo analisou essa influência.

Inicialmente, foi necessária a divisão dos tipos de ciclovia presentes na cidade, observando-se grande heterogeneidade. Após a análise, Fábio pôde classificá-las em seis diferentes tipos:

Ciclovias 3 temproarioContando com o banco de dados fornecido pelo site de busca de imóveis Zap, o dataZap, Fábio Tieppo mapeou os imóveis à venda ou para aluguel da cidade de São Paulo, dividindo o município em 350 zonas, das quais extraiu dados necessários para as conclusões.

Para o estudo, Fábio levou em conta alguns fatores, como quantidade de quartos, banheiros, garagens, preço do condomínio, quantidade de suítes e idade do imóvel. Além das características do imóvel em si, o pesquisador também considerou os arredores, levando em conta saúde, segurança, transporte, educação e cultura.

Os resultados revelaram que os imóveis mais próximos das vias para bicicleta apresentavam uma valorização muito alta, e que, conforme aumentava a distância entre imóvel e ciclovia, a valorização caía rapidamente. Esse resultado é bastante importante para uma análise urbanística e econômica do fenômeno da expansão das ciclovias e mostra que ele envolve não só trânsito, mas também qualidade de vida, ecologia e economia.

Conheça os exercícios físicos mais recomendados por faixa etária

Luiz Henrique Tintori (*)

A prática regular de exercícios físicos é essencial para manter a qualidade de vida

Doenças associadas ao sedentarismo, excesso de peso e baixo consumo de verduras e frutas correspondem a mais de 70% das causas de mortes no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além de promover um envelhecimento saudável, a prática de atividades físicas melhora a disposição das pessoas, combate a depressão, fibromialgia e fadiga - doenças que estão cada vez mais presentes nessa geração. Os exercícios também auxiliam no tratamento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, artrose e dores musculares.
É importante lembrar que para manter a saúde em dia e em segurança, os exercícios precisam ser feitos mais de uma vez na semana e com uma intensidade dosada. Pessoas que não se exercitam e têm um final de semana agitado, por exemplo, têm maior propensão a desenvolver arritmias cardíacas e morte súbita quando praticam alguma atividade ou esporte, especialmente se o indivíduo tiver mais de 50 anos.
Uma sociedade fisicamente ativa começa na infância com as crianças seguindo o exemplo dos mais velhos, isto é, pais que praticam exercícios físicos aumentam as chances de que os seus filhos pratiquem, ainda mais se preservarem a atividade em família, como uma caminhada no parque.
Para prevenir doenças e manter o bem-estar físico e mental, indico como dever ser a prática adequada de exercícios físicos em cada fase da vida. Confira.
• Crianças de até 12 anos: praticar atividades intensas como pega-pega, queimada e aulas de educação física, que envolvam a coordenação motora, consciência corporal, alongamento e força muscular. É na infância e adolescência que o indivíduo desenvolve as características para determinados esportes e cria um vínculo com a atividade física, ficando mais propenso a seguir esse ritmo na fase adulta.
• Jovens e adultos: a série mais completa para jovens e adultos envolvem os três pilares do exercício: atividades aeróbicas como corrida e hidroginástica; atividades de força muscular como funcional e musculação; e atividades de flexibilidade como alongamento e ioga. Indicamos que sejam realizadas mais de três vezes na semana, por pelo menos 30 minutos.
• Idosos: os idosos sofrem de perda muscular, falta de força e equilíbrio, sendo mais vulneráveis à quedas, fraturas e osteoporose, além de ter uma incidência maior de hipertensão, demências, diabetes e cânceres. Para prevenção de quedas, os exercícios de resistência como musculação, funcionais e pilates são os mais indicados. Caminhada e hidroginástica são boas atividades, no entanto, devem ser feitas somente após avaliação médica.

(*) - É ortopedista e médico do esporte da clínica Doktor’s (SP).