Mercado diz que inflação deve fechar o ano em 4,36%

A projeção para o PIB este ano foi ajustada de 0,48% para 0,49%.

O mercado financeiro manteve ontem (6) a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,36%, de acordo com o boletim Focus, publicação divulgada todas as segundas-feiras pelo Banco Central (BC)

A projeção para a inflação este ano está abaixo do centro da meta de 4,5%. A meta tem ainda limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2018, a estimativa também não foi alterada e segue em 4,5%.
A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia (PIB) este ano foi ajustada de 0,48% para 0,49%. Para 2018, a expectativa é que a economia cresça 2,39%. A projeção da semana passada era 2,37%. Para o mercado financeiro, a Selic encerrará 2017 em 9,25% ao ano e, em 2018, em 9% ao ano. Atualmente, a Selic está é 12,25% ao ano.
A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação (ABr).

Atividade do Comércio cresceu 1,8% em fevereiro

Fatores como a alta do desemprego pesam negativamente sobre uma recuperação mais significativa do varejo.

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, o movimento dos consumidores nas lojas de todo o país cresceu 1,8% em fevereiro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o recuo da atividade varejista foi de 2,7%. De acordo com os economistas da Serasa Experian, depois do tombo de janeiro (queda de 2,1%), houve certa reação do varejo em fevereiro, porém sem conseguir compensar integralmente o recuo do primeiro mês do ano.
Apesar dos impactos benéficos da queda da inflação sobre alguns segmentos varejistas (como os supermercados, por exemplo), fatores como a alta do desemprego ainda pesam negativamente sobre uma recuperação mais significativa do varejo. A maior alta observada no varejo em fevereiro foi o crescimento de 2,1% do setor de material de construção, após ter amargado queda de 3,5% em janeiro.
O segmento de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas avançou 1,0%. Veículos, motos e peças cresceram 0,3% ao passo que, com alta de 0,1% ficaram empatados os segmentos de móveis, eletroeletrônicos e informática e o de combustíveis e lubrificantes. Apenas o segmento de tecidos, vestuário, calçados e acessórios experimentou recuo em -0,2%.
Na comparação com o primeiro bimestre de 2016, todos os segmentos varejistas recuaram nestes primeiros dois meses de 2017, a saber: supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-5,6%); móveis, eletroeletrônicos e informática (-11,9%); combustíveis e lubrificantes (-2,9%); veículos, motos e peças (-10,6%); tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-10,9%); e material de construção (-12,7%) (Serasa Experian).

Recua o Indicador de Incerteza da Economia

O Indicador de Incerteza da Economia, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 8,5 pontos entre janeiro e fevereiro, deste ano. O índice passou de 127,3 para 118,8 pontos, o menor nível desde maio de 2015 (116,8 pontos). Ele é composto por três componentes: na frequência de notícias com menção à incerteza nas mídias impressa e online; nas dispersões das previsões de especialistas para a taxa de câmbio e para a inflação oficial e na volatilidade do mercado financeiro.
De acordo com a FGV, o resultado parece refletir notícias favoráveis, como a redução da inflação e da taxa de juros, além da promulgação da Emenda à Constituição 95, que limita os gastos públicos. No entanto, segundo a FGV, é preciso ter cautela com os resultados, uma vez que fatores externos, o andamento da Operação Lava Jato e contratempos durante a tentativa de aprovação de outras medidas podem reverter a tendência de queda do indicador (ABr).