Confiança do consumidor atinge segunda alta consecutiva

Uma recuperação mais espalhada e sustentável ainda depende de notícias favoráveis sobre o mercado de trabalho.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 2,5 pontos em fevereiro, alcançando 81,8 pontos, o maior nível do indicador desde dezembro de 2014

Esta é a segunda alta consecutiva do índice, que iniciou o ano com uma elevação de 6,2%. Os dados relativos à Sondagem do Consumidor foram divulgados ontem (22) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). A alta de fevereiro reflete expansões em todos os quesitos que compõem o ICC.
O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 2,2 pontos, para 70,3 pontos, o maior nível desde agosto de 2015. O Índice de Expectativas (IE) subiu para 90,6 pontos, alcançando o maior patamar desde outubro de 2014. “Esta segunda alta consecutiva neste ano parece estar relacionada à aceleração do ajuste orçamentário das famílias propiciado pela desaceleração da inflação e aceleração no ritmo de queda dos juros básicos da economia”, afirmou a coordenadora da Sondagem do Consumidor, Viviane Seda Bittencourt, em publicação divulgada pela FGV.
Segundo a Viviane, “os consumidores com maior poder aquisitivo são os que se mostram efetivamente mais satisfeitos com a situação financeira no momento e otimistas em relação aos próximos meses”. Para a economista, “uma recuperação mais espalhada e sustentável continuará dependendo de notícias favoráveis sobre o mercado de trabalho, mas que ainda não vieram.”
A publicação da FGV indica, ainda, que o indicador de satisfação do consumidor em relação à situação financeira familiar atual subiu 4 pontos em relação a janeiro, atingindo 65,6 pontos. A intenção de compra de bens duráveis nos próximos meses foi o fator que mais contribuiu para o aumento da confiança no mês. A edição de fevereiro de 2017 coletou informações de 2.047 domicílios entre os dias 1 e 20 de fevereiro (ABr).

Prévia da inflação de fevereiro sobe 0,54%, mas é a menor desde 2012

Apesar da alta, esta é a menor taxa para os meses de fevereiro desde os 0,53% registrado no mesmo mês de 2012.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor 15 (IPCA-15) fechou o mês de fevereiro em 0,54%, registrando uma alta de 0,23 ponto percentual em relação aos 0,31% da taxa de janeiro deste ano. Apesar da alta, esta é a menor taxa para os meses de fevereiro desde os 0,53% registrado no mesmo mês de 2012. Os dados relativos ao IPCA-15 foram divulgados ontem (22), pelo IBGE.
Com a alta, o IPCA-15, uma prévia da inflação oficial do país, fechou os dois primeiros meses do ano com taxa acumulada de 0,85%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice fechou com alta de 5,02%, ficando abaixo dos 5,94% registrados nos 12 meses anteriores. Em fevereiro do ano passado, a taxa foi 1,42%.
Em fevereiro, o aumento dos preços refletiu no grupo educação, que chegou a subir 5,17% em relação a janeiro, causando um impacto de 0,24 ponto percentual na alta de 0,54% no IPCA-15, relativo a fevereiro. A alta do grupo reflete “os reajustes habitual­mente praticados no início do ano letivo, em especial os aumentos nas mensalidades dos cursos regulares, cujos valores subiram 6,94%”, esclarece o IBGE.
O IPCA-15 também foi pressionado pelas tarifas dos ônibus urbanos e intermunicipais, que subiram 3,24% e 3,84%, respectivamente. O grupo dos alimentos, que fechou fevereiro com deflação (inflação negativa) de 0,07%), exerceram pressão contrária, contribuindo para conter o índice do mês, após terem aumentado 0,28% em janeiro. Os preços do óleo de soja (4,42%), das hortaliças (4%) e de outros produtos ficaram mais caros de um mês para o outro. Alguns se destacaram pelas quedas expressivas, como o feijão carioca (-14,68%), a batata-inglesa (-7,63%) e o tomate (-6,62%) (ABr).

Déficit do setor eletroeletrônico cresceu 54%

O déficit da balança comercial dos produtos elétricos e eletrônicos atingiu US$ 2,2 bilhões em janeiro. Segundo dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), o resultado é 54% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (US$ 1,4 bilhão). O crescimento do déficit reflete o desempenho das importações, que aumentaram 39,2%, passando de US$ 1,8 bilhão para US$ 2,5 bilhões no primeiro mês deste ano.
A alta das importações atingiu todas as áreas representadas pela Abinee, com exceção do segmento de automação, e com destaque para o aumento de 45,5% dos componentes elétricos e eletrônicos, cujo montante representa 60% das importações totais do setor. As exportações, por sua vez, apresentaram redução, somando 349,3 milhões em janeiro, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado.
É importante observar que o resultado das exportações é reflexo de um fato isolado. A queda foi puxada pelo baixo desempenho das vendas externas de Equipamentos Industriais (-62,6%) que sofreu forte impacto da retração de apenas um item: dispositivos de tratamento de materiais por mudança de temperatura que, em janeiro de 2016, apresentou montante muito expressivo e pontual, atingindo US$ 90 milhões (Abinee).