Eleição de Trump e o Brexit beneficiam acordo UE-Mercosul

Ministro das Relações Exteriores, José Serra, e a secretária de Estado de Comércio da Espanha, Maria Luísa Poncela.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, disse ontem (23), em Madrid, que o “aumento da insegurança” provocada pela eleição de Donald Trump e o Brexit “deverão beneficiar” o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia

O ministro brasileiro insistiu que estes dois acontecimentos podem “prejudicar a UE”, mas “estimulam e incentivam” o acordo de livre comércio que está a ser negociado entre europeus e sul-americanos.
O Mercosul é o 6.º mercado das exportações da UE, tendo representado 88 bilhões de euros de receitas em 2015. Por outro lado, as empresas europeias pagam mais de quatro bilhões de euros em taxas alfandegárias. Desde 1998, os dois blocos negociam, sem sucesso, um acordo de comércio livre. Serra iniciou uma visita oficial a Espanha para aprofundar as relações bilaterais, principalmente comerciais, com este país. “Espanha e Brasil são parceiros estratégicos”, disse, acrescentando que os dois países precisam aumentar as relações em todas as áreas, principalmente na econômica, na comercial e na cultural.
O ministro está convencido que o Brasil “já iniciou a recuperação” econômica e “aqueles que mais investirem agora serão os que mais vão beneficiar” no futuro. “Queremos que Espanha e Portugal sejam os nossos advogados” na UE, declarou Serra, que teve reuniões em Madrid com o presidente Mariano Rajoy, com o rei Felipe VI e com o seu homólogo, Alfonso Dastis. Em Madri, Serra encerrou o seminário empresarial “Invest in Brasil”, organizado pela Apex-Brasil em parceria com a sua homóloga espanhola (ICEX). Como resultado, Brasil e Espanha decidiram realizar no primeiro semestre de 2017 um fórum “de caráter empresarial, acadêmico e de alto-nível, com a participação dos setores público e privado”.
O Brasil é o mercado sul-americano mais importante de Espanha, que é o segundo maior investidor estrangeiro na economia brasileira. Durante a sua visita, José Serra, a pedido do presidente Michel Temer, convidou oficialmente o rei da Espanha, Felipe VI e o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, para visitarem o Brasil (Ag. Lusa).

Inflação pelo IPCA-15 fecha novembro em 0,26%

A inflação - medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) - fechou o mês de novembro com variação de 0,26%, o menor resultado do indicador para os meses de novembro desde a taxa de 0,23% de 2007. Os dados foram divulgados ontem (23) pelo IBGE, e indicam que o resultado acumulado de janeiro a novembro é de 6,38%, bem abaixo dos 9,42% anotados em igual período do ano passado.
Apesar do índice relativamente baixo, a taxa de novembro deste ano é 0,07 ponto percentual maior que a de outubro: 0,19%. Considerando os últimos 12 meses, o índice foi para 7,64%, também abaixo dos 8,27% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2015, havia sido 0,85%. A retração dos preços dos alimentos, que, por algum tempo vinha pressionando a inflação para cima, mais uma vez contribuiu para que a inflação ficasse em patamar baixo, uma vez que o grupo saúde e cuidados pessoais continuou pressionando para cima.
Segundo o IBGE, enquanto os preços do grupo alimentação e bebidas fecharam com deflação (inflação negativa) de 0,06%, os de saúde e cuidados pessoais chegaram a subir 0,68%. O grupo vestuário, com variação também negativa (-0,03%), contribuiu para segurar os preços do IPCA-15, em novembro. Os dados indicam que, com a inflação negativa de 0,06% em novembro, o IPCA-15 já acumula nos últimos dois meses uma queda de 0,31 ponto percentual. O principal destaque ficou com o leite longa vida, produto importante para muitas famílias. Ele passou a custar 10,52% a menos em novembro, e, com isso, exerceu o principal impacto para baixo no índice do mês (-0,12 ponto percentual) (ABr).

Percentual de cheques devolvidos bate recorde

Outubro de 2016 registrou o maior percentual de cheques devolvidos por insuficiência de fundos para o mês, e o terceiro maior índice de devoluções de toda a série histórica do Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos, realizado há 25 anos. Foram 2,52% de devoluções frente ao total de emissões, atrás apenas de março/2016, quando o índice atingiu o recorde histórico de 2,66%, e de novembro/2015, quando a porcentagem de cheques devolvidos chegou a 2,61% do total de emitidos.
Em outubro foram 1.204.402 cheques devolvidos e 47.802.370 compensados. No mês anterior, setembro, registrou-se 2,19% de devoluções, com 1.050.504 cheques que voltaram e 48.023.107 compensados. No acumulado do ano, o percentual foi de 2,36% devoluções por falta de fundos entre janeiro e outubro de 2016 (Serasa).

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