Greve dos caminhoneiros fará inflação acelerar este mês

Desabastecimento causado pela greve dos caminhoneiros irá se refletir na inflação.A inflação em junho deve se acelerar sob o efeito da crise de desabastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros no fim de maio

Entretanto, por conta da lenta recuperação da atividade econômica, a inflação deve terminar este ano em um patamar baixo, segundo avaliou o Banco Central (BC), no Relatório de Inflação, divulgado ontem (28), em Brasília.
Segundo o BC, de junho a agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve registrar alta de 1,06%, 0,27% e 0,20%, respectivamente. Em maio, a inflação ficou em 0,40%. “A expressiva aceleração projetada para a inflação mensal de junho repercute a intensificação dos efeitos da paralisação no setor de transporte de carga sobre os preços de alimentos e combustíveis e a da mudança de bandeira tarifária [de energia elétrica]”, diz o relatório.
Nos meses seguintes, avalia o documento, a despeito dos efeitos defasados da alta do dólar observada desde o fim de abril e do aumento projetado para passagens aéreas em julho, o BC espera por taxas de inflação mais baixas. Segundo o Banco Central, isso deve ocorrer em razão da reversão dos efeitos do desabastecimento gerado pela greve dos caminhoneiros, o período favorável dos preços de alimentos e a elevada ociosidade da produção no país.
Segundo o BC, para o ano, apesar da aceleração projetada no curto prazo, a retomada da atividade econômica em ritmo mais gradual deve contribuir para a “manutenção da inflação em patamar reduzido”. De acordo com o relatório, a previsão para a inflação neste ano ficou em 4,2%, abaixo da meta de 4,5%. A meta tem intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (ABr).

Incerteza da Economia tem maior nível desde janeiro de 2017

A greve dos caminhoneiros colocou em cheque a recuperação da economia.

O Indicador de Incerteza da Economia, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu 10,1 pontos de maio para junho, atingindo 125,1 pontos em uma escala de zero a 200. Esse é o maior nível desde janeiro de 2017 (125,4 pontos). Com o resultado, o indicador manteve-se na região de incerteza elevada (acima de 110 pontos) pelo quarto mês consecutivo.
De acordo com a FGV, a greve dos caminhoneiros gerou pressão inflacionária, aumento da volatilidade no mercado de ações, queda do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, e “colocou em cheque a recuperação da economia”.
A alta foi percebida em seus três componentes, com destaque para a expectativa, calculado a partir das previsões dos analistas econômicos para taxa de câmbio e inflação oficial, que subiu 21,5 pontos.
O componente de mercado, baseado na volatilidade do mercado acionário, cresceu 10,3 pontos. Já o componente mídia, medido com base na frequência de notícias com menção à incerteza que saem na imprensa, subiu 4 pontos (ABr).

Recuou o Índice de Confiança do Consumidor

A paralisação dos caminhoneiros, e a consequente crise de abastecimento que se espalhou pelo Brasil, gerou efeitos negativos sobre o humor dos consumidores paulistanos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 8,4%, ao passar de 113,5 pontos em maio para 104 pontos em junho. Foi a maior queda na comparação mensal desde maio de 2015 e, com isso, o ICC atingiu o menor patamar desde novembro do ano passado. Em relação a junho de 2017, o indicador registrou alta de 3,9%. A pesquisa é elaborado pela FecomercioSP e a escala de pontuação varia de zero a 200 pontos.
Os dois quesitos que compõem o indicador recuaram na passagem de maio para junho. O Índice das Condições Econômicas Atuais registrou queda de 7%, ao passar de 83,8 pontos em maio para 77,9 pontos em junho. Em relação a junho do ano passado, houve elevação de 10,1%. O Índice das Expectativas do Consumidor caiu 9%, ao passar de 133,3 pontos em maio para 121,4 pontos em junho. No comparativo anual, o índice ainda registrou alta de 1,5%.
Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, os resultados mostram que o receio dos efeitos da crise do abastecimento se abateu, de forma imediata, sobre os consumidores e alterou a visão de curto prazo. O cenário futuro também foi avaliado de maneira negativa, já que havia uma evidente desconfiança na capacidade do governo de solucionar a crise e dúvidas sobre como serão os próximos meses até o fim do mandato (AI/FecomercioSP).

IGP-M acumula inflação de 6,92% em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado no reajuste dos contratos de aluguel, registrou inflação de 1,87% em junho, taxa superior ao 1,38% de maio. Segundo dados divulgados ontem (28) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador acumula taxas de 5,39% no ano e de 6,92% em 12 meses.
A alta do índice foi provocada por aumentos nas taxas de inflação dos três subíndices que o compõem. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado, subiu de 1,97% em maio para 2,33% em junho.
O Índice de Preços ao Consumidor, que acompanha o varejo, subiu de 0,26% em maio para 1,09% em junho. Já a inflação do Índice Nacional de Custo da Construção passou de 0,30% em maio para 0,76% em junho (ABr).

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