Especialistas alertam que indústria do futuro vai gerar desemprego

Pode-se fazer uma relação com a mecanização da agricultura, onde até os tratores passaram a dispensar um condutor humano.

A preocupação com o desemprego que será gerado com uso de tecnologias na indústria do Brasil foi tema de debate ontem (19) durante o Fórum Indústria 4.0, realizado pela Amcham, em São Paulo

A quarta revolução na indústria, alavancada pelos robôs, sensores e tecnologia da informação, promoverá ganho de produtividade. Segundo o último levantamento do IBGE, a taxa de desemprego no país ficou em 13,3% no trimestre encerrado em maio. O contingente de desocupados no Brasil é de 13,8 milhões de pessoas.
João Alfredo Delgado, diretor de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), disse que o profissional do futuro precisa de qualidades como talento e raciocínio. “Vai ter outro tipo de emprego e aí está o problema. Teremos um estoque de pessoas, talvez não qualificadas”, afirmou. Para ele, pode-se fazer uma relação com a mecanização da agricultura, onde até os tratores passaram a dispensar um condutor humano. “Nas cidades, sofremos com milhões de pessoas entrando sem emprego. É um sério problema social. O Brasil vai sofrer mais porque o país tem um contingente de trabalhadores despreparados”, acentuou.
Segundo Fernando Pimentel, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor pode ser fortemente afetado pela tecnologia. Do total de 1,5 milhão de empregos, 1,2 milhão atua na manufatura do vestuário. Pimentel defende que não haja retrocessos por receio de aumento no desemprego e que o país invista na educação. “Não podemos esperar o Brasil ficar pronto. A solução é o país ter políticas macroeconômicas mais consistentes”, disse.
Márcio Girão, diretor de inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cita a necessidade de atualização nos currículos das escolas técnicas e de engenharia. “Há um abismo na educação, precisamos de mais inclusão digital”, observou (ABr).

Confiança do Agronegócio fica abaixo da linha de 100 pontos

Houve perda de confiança em relação às condições do próprio negócio.

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), medido pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), caiu para 92,4 pontos no segundo trimestre de 2017, uma queda de 8,2 pontos quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, quando havia registrado 100,5 pontos.
O resultado é o mais baixo desde o 2º trimestre do ano passado, quando produtores, indústrias e cooperativas que compõem o agronegócio iniciaram uma fase otimista. Nesse período, o índice havia registrado 102,1 pontos. De acordo com a metodologia do estudo, pontuação acima de 100 pontos corresponde a otimismo e resultados abaixo disso indicam baixo grau de confiança.
Essa queda foi fortemente percebida na indústria de insumos, antes da porteira, cuja confiança passou para 93,8 pontos, recuo de 15,5 pontos. “A comercialização de soja e milho esteve muito lenta no período, o que prejudicou as aquisições de insumos. Claramente, os produtores esperaram um pouco mais para realizar as suas compras, esperando uma reação de preços dos grãos e uma melhora nas relações de troca, desfavoráveis até então em comparação a períodos anteriores”, ressalta Antônio Carlos Costa, gerente do Deagro da Fiesp.
No entanto, com a reversão do cenário de preços no início de julho, que pode se prolongar, dependendo do que ocorrer ao longo do mês nas lavouras norte-americanas, é possível que os produtores voltem às aquisições, o que gera uma perspectiva mais otimista para a próxima tomada. Para a indústria Depois da Porteira (alimentos, principalmente), a queda no 2º trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior foi de 5,1 pontos, para 96,9 pontos, mostrando-se também abaixo do patamar otimista. A percepção dessas empresas sobre a economia brasileira piorou no período avaliado e também houve perda de confiança em relação às condições do próprio negócio (Fiesp).

Arrecadação cresceu 3% em junho

A arrecadação de impostos e contribuições federais ficou em R$ 104,1 bilhões em junho. O resultado representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2016. Entre janeiro e junho, o total arrecadado foi de R$ 648,584 bilhões, o que significa um crescimento real de 0,77% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados ontem (19), em Brasília, pela Receita Federal.
Segundo técnicos da Receita, esse crescimento é real, já descontando a inflação do período medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Se forem consideradas apenas as receitas administradas pela Receita (excluídos outros órgãos), o valor arrecadado é de R$ 102,322 bilhões em junho, total 3,17% maior que o de maio de 2016, descontada a inflação. No acumulado de ano, o valor arrecadado apenas pela Receita somou R$ 630,807 bilhões.
Apesar de, em termos absolutos, esse resultado ser superior aos R$ 606 bilhões arrecadados entre janeiro e junho de 2016, se for considerada a inflação do período, o resultado fica negativo em 0,2%. Entre as arrecadações administradas pela Receita, o tributo que apresentou maior percentual de crescimento foi o IPI, que ficou em 20,65% na comparação com junho de 2016 (R$ 2,86 bilhões ante R$ 2,37 bilhões em 2016). A arrecadação via Imposto de Renda aumentou 9,45%, chegando a R$8,4 bilhões.
“Isso se deve à participação do setor público na fonte”, disse o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias, ao anunciar hoje o resultado (ABr).

QUASE METADE DOS INADIMPLENTES ESTÃO MUITO ENDIVIDADOS

O nível de endividamento elevado (muito endividado) atinge 47% dos consumidores inadimplentes, ou seja, que estão com o “nome sujo”, de acordo com a pesquisa nacional Perfil do Consumidor Inadimplente, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), com cerca de 1.500 respondentes. Em seguida, 26% se dizem mais ou menos endividados, outros 26% um pouco endividados e apenas 1% declara não ter dívidas. 
Entre os consumidores não inadimplentes (sem negativação do débito), apenas 10% se declaram muito endividados, 21% mais ou menos endividados, 46% pouco endividados e 23% sem endividamento. Realizada entre os dias 23 de maio e 13 de junho, a pesquisa Perfil do Consumidor Inadimplente constatou ainda que para 62% dos consumidores negativados no SCPC, as dívidas comprometem mais de 50% da renda, ao fim de cada mês. A imagem abaixo contém os detalhes.
O desemprego é principal causa da inadimplência para 32% dos consumidores, seguido de diminuição de renda (24%), descontrole financeiro (20%), empréstimo do nome a terceiros (11%), despesas extras com saúde e educação (10%) e atraso no recebimento do salário (3%). Contas diversas como IPTU, IPVA, educação e plano de saúde são responsáveis por 25% da inadimplência, seguidas de empréstimo pessoal e consignado (17%), móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (13%), alimentação (13%), vestuário e calçados (11%), contas de consumo de água e luz (9%), financiamento de veículos (6%), materiais de construção (3%) e financiamento da casa própria (3%)- (SCPC).