Cresce o faturamento do setor de serviços paulistano pelo quinto mês

Destaque para saúde (19,8%) e agenciamento, corretagem e intermediação (15%) que, juntas, colaboraram positivamente para o resultado geral.

Ainda é cedo para afirmar que a economia nacional voltou à normalidade, mas fato é que o setor de serviços da cidade de São Paulo vem demonstrando recuperação nos primeiros meses deste ano

Pelo quinto mês consecutivo, o faturamento real do setor registrou alta no comparativo anual. Em maio, as receitas do setor cresceram 1,7% em relação ao mesmo mês de 2016, atingindo R$ 22,1 bilhões, aproximadamente R$ 376 milhões acima do valor apurado em maio do ano passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2017, o faturamento real cresceu 2,5%, e apesar do resultado acumulado nos últimos 12 meses ainda ser negativo (-0,8%), observou-se uma forte desaceleração no ritmo de queda, já que em dezembro de 2016, essa taxa estava em -3,4%. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), que traz o primeiro indicador mensal de serviços em âmbito municipal, elaborado pela FecomercioSP, com base nos dados de arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) do município de São Paulo.
O município de São Paulo tem grande relevância nos resultados estaduais e nacionais do setor de serviços, representando em torno de 20% da receita total gerada no País. Das 13 atividades pesquisadas, seis apontaram crescimento no faturamento real, em maio, no comparativo com o mesmo mês do ano passado, e garantiram o bom desempenho do setor, com destaque para saúde (19,8%) e agenciamento, corretagem e intermediação (15%) que, juntas, colaboraram positivamente com 3,1 pontos porcentuais (p.p) para o resultado geral.
Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, os dados apurados continuam a sinalizar uma melhoria no desempenho das receitas do setor de serviços na cidade de São Paulo. No entanto, a Entidade pondera que é preciso ter cautela nas expectativas, uma vez que, para se ter um ciclo sustentado de recuperação, é preciso uma reativação ampla e contínua das demais atividades, do aumento do emprego e da recomposição da renda da população (FecomercioSP).

Em razão da crise, 80% dos brasileiros cortaram gastos em 2017

Com o país há quase três anos mergulhado em uma crise econômica, a maior parte dos brasileiros chega ao segundo semestre de 2017 sem ainda ter notado melhora no quadro econômico. Um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional e Dirigentes Lojistas (CNDL) com consumidores de todas as regiões, idades e classes sociais revela que, na comparação com 2016, 80% dos brasileiros tiveram de fazer cortes no orçamento ao longo do primeiro semestre deste ano para lidar com os efeitos da crise.
O principal item cortado por esses consumidores foi a alimentação fora de casa, citado por seis em cada dez (57%) pessoas. Outros produtos e serviços que também deixaram de ser prioridades para o brasileiro foi a aquisição de roupas, calçados e assessórios (55%), idas a bares e restaurantes (53%), gastos com lazer e cultura, como cinema e teatro (51%), viagens (51%), idas a salões de beleza (50%) e a compra de itens supérfluos nos supermercados (50%). Para 76% dos brasileiros, vida financeira está igual ou pior que no ano passado; economia do país piorou para 39%
A pesquisa demonstra que a melhora de alguns índices econômicos como o recuo da inflação e a queda das taxas de juros ainda não se refletiu em efetiva percepção de melhora no dia a dia do consumidor. Para 76% dos consumidores, a vida financeira pessoal continuou igual ou pior do que no ano passado. Apenas 19% consideram que houve melhora no período avaliado. A percepção predominantemente negativa se mantém elevada em todos os estratos analisados, como gênero, idade e classe social.
Para 39% dos entrevistados, as condições da economia brasileira pioraram nos seis primeiros meses deste ano em relação ao ano passado, enquanto para 38%, ela se manteve do mesmo jeito. De modo inverso, apenas 19% acreditam que houve melhora ao longo do período. “A reconquista da confiança dos brasileiros ainda demandará tempo e depende de resultados mais palpáveis no campo econômico. As projeções indicavam que o início da recuperação se daria ao longo do segundo semestre. Agora, porém, levantam-se muitas dúvidas sobre essa possibilidade acontecer neste ano”, avalia o presidente da CNDL, Honório Pinheiro (SPC/CNDL).

Mercado financeiro espera por inflação e crescimento menores

O mercado financeiro espera por inflação e crescimento econômico menores este ano. A estimativa para a expansão do PIB desta vez, caiu de 0,39% para 0,34%. A projeção para a inflação, medida pelo IPCA, caiu pela sexta vez seguida, ao passar de 3,46% para 3,38%. Estas estimativas são do boletim Focus, uma publicação elaborada todas as semanas pelo BC sobre os principais indicadores econômicos.
Para 2018, a projeção para o crescimento do PIB foi mantida em 2% e a estimativa para o IPCA foi ajustada de 4,25% para 4,24%. As projeções permanecem abaixo do centro da meta de inflação, que é 4,5%. As instituições financeiras esperam por uma taxa básica de juros, a Selic, menor neste ano e em 2018. A projeção para o final de 2017 passou de 8,50% para 8,25% ao ano. Para o fim de 2018, a expectativa foi alterada de 8,25% para 8% ao ano.
Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano. A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação (ABr).