Cargill critica tabela de frete e avalia aquisição de frota própria

A Cargill disse ontem (24), que o tabelamento do frete rodoviário vai inviabilizar a comercialização antecipada de grãos e que avalia investir em frota própria de caminhões.

“Uma alternativa é o investimento na verticalização das operações, ou seja, aquisição de frota própria de caminhões e contratação de motoristas”, disse a trading em nota.
A Cargill afirma que as compras de serviços de transporte sempre ocorreram com base na oferta e na procura e agricultores, indústrias e exportadores se basearam na análise desses parâmetros para definir seu modelo operacional. “Com o tabelamento cria-se uma ruptura no funcionamento natural da cadeia de suprimentos e desequilibra os contratos, a ponto de comprometer a confiança na expansão sustentável do agronegócio”, enfatizou no comunicado o diretor de grãos e processamento da Cargill para América Latina, Paulo Sousa.
Para ele, indústrias de processamento de produtos agrícolas e empresas exportadoras serão forçadas a mudar seu modelo de atuação: em vez de comprar grãos com retirada nas fazendas ou nos armazéns no interior, serão forçadas a adquiri-los somente com entrega nas fábricas e nos portos. Para a trading, a lei também incentiva agricultores que ainda não têm caminhões a adquirir seus veículos próprios e, os que já têm, a ampliar sua frota de maneira significativa.
“Isto pode comprometer ainda mais o equilíbrio do mercado e tornar o excesso de oferta de caminhões um problema substancialmente maior”, ressaltou. Sousa ponderou ainda que produtores com maior capacidade de investimento conseguirão, com frotas próprias, incorporar à sua receita os benefícios de um frete artificialmente sobrevalorizado, enquanto pequenos produtores e produtores rurais da agricultura familiar serão forçados a se organizar em cooperativas de frete ou perderão competitividade (AE).

Rua Vergueiro, 2949, 12º andar – cjto 121/122
04101-300 – Vila Mariana – São Paulo - SP