OMS alerta: crise na Venezuela pode causar surtos no Brasil

A crise na Venezuela pode ter uma repercussão imediata nas fronteiras com o Brasil e fazer com que surtos de doenças atinjam áreas do território brasileiro.

O alerta é do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que na sexta-feira (18), se pronunciou pela primeira vez em relação à situação em Caracas. De acordo com ele, o país voltou a registrar surtos de malária e sarampo.
Desde meados de 2016, a Venezuela também vive um surto de difteria, com mais de 1,6 mil casos. Segundo a OMS, a importação da doença para o Brasil já é uma realidade. “Há uma migração e, como sabem, os surtos podem se espalhar pelos demais países”, disse Tedros. “Já tratei desse tema com as autoridades brasileiras e estamos ajudando tanto as regiões do Brasil como dentro da Venezuela. Mas é muito preocupante. São três surtos juntos”, afirmou.
Para a entidade, o risco é de que o fluxo de pessoas possa provocar uma nova onda de transmissão de certas doenças que, no Brasil ou na Colômbia, estavam sob controle ou mesmo eliminada, como no caso da malária. “Há falta de remédios e de abastecimento. Estamos dando apoio e tentando aumentar o fornecimento de vacinas e intensificar campanhas”, explicou Tedros.
Internamente, porém, a OMS já não confia mais nos dados oficiais da Venezuela. Um dos casos se refere ao sistema de saúde, mortalidade e o número de casos de malária. A Venezuela, por exemplo, informou à OMS que registrou apenas uma morte pela malária em 2016. Mas a entidade estima que ocorreram até 280 mortes e estima que, em 2017, mais de 400 mil casos foram registrados no país, quase dez vezes mais que no início da década. Em 2010, o país havia registrado 45 mil casos de malária. Em 2016, a taxa já era de 240 mil (AE).

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