Possibilidade de litígio na OMC existe, mas não é a única

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que a sobretaxa na importação de aço e alumínio anunciada pelos Estados Unidos aumentou a chance de uma “guerra comercial” entre países, mas que acredita na possibilidade de um diálogo para mitigar os impactos da medida tomada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, na capital paulista, o diretor afirmou que conversou com o presidente Michel Temer e que o Brasil não descarta nenhum possibilidade sobre a mesa como resposta à sobretaxação. “Na conversa que eu tive com o presidente, ficou evidente que o Brasil não descartou nenhuma possibilidade, inclusive um litígio na Organização Mundial do Comércio; é uma possibilidade, mas não é a única”, destacou.
O diálogo, reforçou, pode evitar atritos irreversíveis entre países que negociam com os Estados Unidos. Azevêdo declarou se preocupar com o “efeito sistêmico” da medida americana. “Se houver efetivamente uma situação de quebra de diálogo e adoção de medidas unilaterais em retaliação, coisas desse tipo, isso me preocupa porque pode causar um efeito dominó que é difícil de prever a extensão e a duração”.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 14, que há dúvidas sobre o que os Estados Unidos gostariam de negociar na questão do aço. “O governo americano fala em negociações, mas a questão é: que tipo de negociações eles querem? O que eles querem negociar?”, questionou o ministro, ao informar que o governo brasileiro considera a possibilidade de recorrer à OMC (AE).

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