Paulo Rabello usa BNDES para se lançar

As pretensões eleitorais do presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, têm sido alvo de críticas dentro do governo.

A avaliação tanto da ala econômica quanto da política é que ele tem usado o banco para impulsionar sua imagem. A um mês de deixar a instituição para tentar a candidatura ao Palácio do Planalto, Rabello quer promover uma reestruturação no banco. Vai criar uma nova diretoria com o objetivo de aproximar o contato com pequenos produtores e já anunciou redução de juros nos empréstimos.
A intenção de mexer no alto escalão aumentou o descontentamento dentro do próprio BNDES. O “timing” é equivocado, dizem fontes do banco, já que ele está prestes a sair. O executivo, que é amigo do presidente Temer, também tem posado como um dos patrocinadores de uma linha bilionária de financiamentos com recursos do BNDES para Estados e municípios investirem em segurança pública - um dos temas que devem ser centrais na campanha deste ano.
Mesmo com vários governos regionais impedidos de contratar novos empréstimos, por causa da situação financeira ruim, Rabello acenou com uma solução: usar um “pouco de criatividade” para acessar os recurso. A declaração foi mal recebida na área econômica por remeter à época da “contabilidade criativa” que manchou a gestão das contas públicas no governo Dilma Rousseff (AE).