Abit vê prática irregular em importação de vestuário

As importações de itens de vestuário no Brasil aumentaram 90,13% em outubro e atingiram mais de 10 mil toneladas, de acordo com dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

Com a alta, a entidade que reúne os produtores nacionais tem levado ao governo reclamações sobre suspeitas de práticas irregulares, entre elas a de que há produtos de malharia importados chegando a um preço abaixo do praticado no mercado.
Segundo o presidente da Abit, Fernando Pimentel, a entidade suspeita de irregularidades em ao menos 40% do volume importado nos últimos cinco meses. “Algum aumento de importação já era esperado em razão da menor volatilidade do câmbio este ano, mas o resultado tem superado nossas expectativas”, disse. No acumulado do ano até outubro, as importações de vestuário cresceram 49,19%, atingindo 91 mil toneladas.
O crescimento expressivo ocorre, no entanto, depois de uma queda no ano de 2016. No ano passado, o volume importado havia caído 43%. Em função da alta volatilidade e de inseguranças envolvendo o ambiente político turbulento no Brasil, muitas varejistas de moda haviam decido recuar das importações no ano passado.
De acordo com Pimentel, a substituição de importações no ano passado havia aberto uma oportunidade para a indústria nacional, mas o consumo também recuou. Agora, ressalta, o consumo doméstico volta a crescer, com a demanda sendo suprida por importações. Ainda assim, no entanto, os fabricantes brasileiros têm registrado crescimento na produção: a expectativa é de alta de 4% em 2017 ante 2016 (AE).