José Roberto Kracochansky (*)

Em meio à crise, trabalhadores recorrem a antecipação de salário.

Especialistas acreditam que a retomada da profunda recessão do país nos últimos anos será mais demorada do que o esperado, principalmente em função do aumento do desemprego e queda do consumo. A renda familiar e a oferta de crédito estão diminuindo e estudos apontam que a economia brasileira tem girado em torno apenas do consumo doméstico.

De acordo com um levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), o volume de dívidas vencidas em janeiro de 2017 diminuiu em relação ao pico de setembro do ano passado, mas continua em níveis bastante elevados. O percentual de famílias endividadas ou com contas em atraso foi de 22,7% ante 23% em dezembro de 2016, alcançando o menor patamar desde novembro de 2015. Na comparação anual, o índice teve queda de 1,0 ponto percentual.

Entre os fatores que contribuíram para a redução do endividamento estão a sazonalidade do período, após o recebimento do décimo terceiro salário, que permite a quitação de dívidas, além da redução do crédito, associada a um menor consumo das famílias. No entanto, esses dados constatam que a inadimplência perdeu o fôlego, porém, ainda não significa uma retomada da economia, e sim, arrocho de crédito.

Como forma emergencial de diminuir as dificuldades financeiras, trabalhadores podem recorrer a soluções de antecipação de salário e complementar a renda necessária para cobrir as despesas mensais recorrentes e eventuais despesas não previstas. Como a crise também reduziu o crédito concedido pelos bancos às empresas, essa opção funciona não só como benefício aos trabalhadores, mas também como alternativa ao capital de giro das empresas em substituição ao vale quinzenal.

Sem necessidade de consulta ao Serasa Experian e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o adiantamento é descontado diretamente da folha de pagamento dos trabalhadores. Diante dessas opções e com a implementação de reformas que reduzam os juros e a inflação, a tendência é aumentar a confiança na governabilidade, promovendo maior incentivo à recuperação do comércio e, consequentemente, à confiança do consumidor que já tem crescido, como aponta o estudo da CNC.

De acordo com dados de janeiro de 2017, o estudo relata que a perspectiva de consumo das famílias aumentou 1,5%, em relação a janeiro de 2016. Na comparação anual, o índice apresentou crescimento de 7,2%, a quinta variação anual positiva desde agosto de 2014.

(*) - É CEO da WEX na América Latina.