Rogério Marinho (*)

Ler e escrever com competência são alicerces de uma boa trajetória escolar.

Nos últimos 40 anos o Brasil multiplicou matrículas e vagas em todas as etapas educacionais, o orçamento público destinado ao ensino cresceu 400%, aumentamos os diplomados do magistério, formamos milhares de pós-graduados, destinamos recursos para formação continuada dos professores, melhoramos enormemente a infraestrutura escolar, aumentamos as horas dedicadas ao ensino e ampliamos o tempo de duração do ano letivo.

Mas, nada disso foi capaz de elevar o nível de aprendizado dos alunos brasileiros a patamares minimamente aceitáveis. Segundo o Ministério da Educação, com base nos dados da Avaliação Nacional da Alfabetização de 2014, apenas 11% dos alunos de 3º ano do ensino fundamental tiveram capacidade de ler em um padrão adequado e apenas 9,9% desenvolveram a competência da escrita.

Ao falharmos nessa etapa crucial, acumulamos problemas de aprendizado e comprometemos todas as outras etapas de ensino. Não faltam números a comprovar essa triste realidade nacional. Em particular, queremos refletir um pouco mais sobre possíveis causas da inépcia. Ninguém há de negar o aumento no volume de produção de diplomas de pedagogia e licenciaturas diversas nas últimas décadas. A figura do professor completamente leigo é, hoje, muito rara.

A grande maioria dos professores tem diplomas e alguns, não poucos, são mestres e doutores. Toda essa melhoria foi necessária, entretanto, não suficiente e capaz de alavancar o aprendizado nacional. Porém há algo de errado nesta equação: aumento de diplomas do magistério e queda de aprendizado. Não é difícil chegar à conclusão de que o conteúdo da formação dos nossos professores está equivocado. O baixo desempenho escolar dos estudantes brasileiros é um forte indício de que a formação dos professores está completamente falha em seus conteúdos.

Uma rápida pesquisa sobre grades curriculares de alunos de pedagogia e licenciaturas oferecidas pelas universidades e faculdades mostra, com clareza espantosa, a prevalência de conteúdo meramente político-ideológico, pouca metodologia de ensino, nada de estudos baseados em evidências científicas, desleixo com o estágio profissional e recursos técnicos de sala de aula. Há uma excessiva carga teórica de leitura de fragmentos de autores ligados ao ultrapassado método de ensino construtivista e da hegemonia de teorias marxistas.

Os péssimos resultados da educação brasileira, comprovados por avaliações nacionais e internacionais, deveriam motivar a Universidade a fazer uma reflexão profunda sobre que tipo de formação de magistério está a oferecer à Nação. Dessa reflexão, poderia nascer a reforma do magistério que visasse, sobretudo, elevar os padrões de aprendizado dos nossos alunos. Alfabetizar adequadamente todos os nossos estudantes seria fundamental para um ensino realmente eficiente.

Não podemos ignorar que o atual padrão de formação de magistério não foi capaz de se demonstrar pertinente ao produzir resultados concretos e positivos de aprendizagem dos estudantes. Se os erros estão no básico e no óbvio, é preciso erguer os olhos e enfrentar os problemas.

A realidade impõe a necessidade de refundarmos por completo a formação dos professores brasileiros.

(*) - É deputado federal pelo PSDB-RN.