Marisa Ester Rosseto (*)

Nesta quarta-feira, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, sendo, portanto inevitável fazer reflexões sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

Tivemos muitos avanços e muitas mulheres estão roubando a cena com discursos lúcidos e progressistas, algo impensável de acontecer em tempos idos, sem direitos a vez e nem voz. Houve, de fato, um empoderamento feminino de uns anos pra cá. Hoje vejo até mulheres dirigindo o trem/metrô, por exemplo. O que sinto, e o que vejo, é que a mulher acumulou muitas funções: ela é mãe, mulher, filha, esposa, empresária, líder, gestora... trabalhadora, muito batalhadora!

Acho que a mulher vem lutando para ganhar espaços e algumas batalhas e conquistas e estas merecem destaque. Também como educadora, luto, sim, pela igualdade de gênero, de raça, social. É gratificante observar que todos temos um lugar.

Além disso, gostaria de poder ver todas as crianças e jovens com os mesmos direitos e acesso a uma educação de qualidade, com professores que encantam os alunos para o conhecimento, que discutem a respeito das problemáticas sociais que ajudam cada menino e menina no desenvolvimento sócio emocional e que acompanham seu progresso, orientando-os e motivando-os para que busquem a realização de seus sonhos.

Acho muito recompensador ver alunos que não teriam oportunidade de estudar em escolas como a nossa e, a partir de alguns projetos e parcerias, terem essas condições. Mas não podemos negar que o cenário geral ainda preocupa.

Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2014 (Pnad), há no Brasil 105 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens. Se somos maioria, por que ainda há um grupo grande e significativo de mulheres às margens? As mulheres têm, em média, 8 anos de estudos contra 7,5 dos homens; as mulheres ganham 74,5% do salário dos homens, considerando a mesma função (dados de IBGE/Pnad 2014). Mais estudo e remuneração menor, como assim?

Você provavelmente já deve ter ouvido falar de um vídeo da 'Inspiring the future', organização - de Londres - de promoção da educação e da força de trabalho, que fez sucesso na internet por conta de sua nova abordagem sobre as profissões. Em uma sala de aula de Educação Infantil, os alunos foram estimulados a desenhar pessoas fazendo diferentes trabalhos. Foram solicitados desenhos de três funções: bombeiro, cirurgião e piloto de avião.

Resultado: 61 desenhos mostravam homens na tarefa e 5 desenhos tinham mulheres. E, em um momento surpresa, entraram três mulheres que exerciam as funções mencionadas. Na legenda do vídeo, apareceram os seguintes dizeres: “Estereótipos de gêneros são definidos entre 5 e 7 anos de idade” e “É hora de redefinir o padrão”. Como as escolas (e os educadores), em conjunto com as famílias, podem ajudar se é nesses espaços que as relações gritam, apertam, acontecem?

O espaço das escolas, que antes era prioritariamente acadêmico, se ampliou nos últimos anos de forma significativa. Trabalhar apenas os conteúdos já não faz mais sentido. As informações estão em todos os cantos, mas como ajudar nossos meninos e meninas a construírem opiniões?

Como fazer uma transformação nas relações entre as diferenças? Como construir atitudes de alteridade que vão além do respeito, pois não negam a opção, a opinião, a crença do outro e nem mesmo há qualquer tipo de julgamentos?

Um dos maiores desafios da contemporaneidade na educação brasileira parece estar posto: articular igualdade e diferença.

(*) - É Diretora Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano, do Grupo Marista.