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Claudio Furquim (*) e Onivaldo Comim (**)

Embora não tenha se destacado como tema na campanha eleitoral, uma das prioridades do presidente eleito, Jair Bolsonaro, é a melhoria do sistema de abastecimento

Fundamental para que a população tenha acesso a mercadorias de qualidade, com oferta sempre capaz de atender à demanda, custo operacional baixo e menos desperdício. Um dos gargalos nessa importante área que deverão merecer atenção do governo diz respeito ao Entreposto Terminal de São Paulo, da Ceagesp, companhia vinculada ao Ministério da Agricultura. A questão também deverá merecer atenção do governador eleito, João Dória, considerando ser relevante a parceria e apoio da administração paulista na busca das soluções.

Além de a Ceagesp ser ligada ao Governo Federal, é preciso considerar algo crucial: o comércio atacadista de hortifrutigranjeiros da capital paulista não atende apenas a cidade, mas todo o Brasil, dada a relevância do mercado da Grande São Paulo e do Interior paulista, bem como da produção e volumes comercializados. Qualquer problema de quebra na produção de frutas, verduras ou legumes que aconteça em outros estados pode ser suprido pelo entreposto paulistano. Este funciona como um regulador do mercado nacional.

Também é preciso considerar que alguns produtos estrangeiros somente são acessíveis no mercado nacional em decorrência de sua compra em larga escala por importadores que os distribuem a partir do entreposto de São Paulo. Os mercados regionais de outros pontos do Brasil não têm volume para comprar essas mercadorias, a preços competitivos, diretamente dos fornecedores de outros países.

A despeito de sua importância para a população paulista e paulistana e o abastecimento nacional, o Entreposto Terminal de São Paulo está obsoleto e não tem as mínimas condições de atender à demanda. Localizado em uma região urbana com alto índice populacional, tem sérios problemas de trânsito/mobilidade, segurança, infraestrutura e condições de trabalho para seus permissionários, ou seja, produtores e comerciantes atacadistas de distintos portes.

Também é desconfortável e inadequado para os feirantes, sacolões, restaurantes, pequenos e médios varejistas e todos os que dependem dele na cadeia de abastecimento. Sem investimentos durante anos em sua modernização, também dificultada pela falta de espaço e crescimento da cidade em seu entorno, não é mais capaz de atender de modo adequado ao volume médio de comercialização de 283 mil toneladas por mês ou 3,4 milhões anuais, bem como receber produtos de 1.500 municípios, 22 estados brasileiros e 19 países.

No velho entreposto de Vila Leopoldina, circulam 50 mil pessoas e 12 mil veículos por dia. Infelizmente, todo esse contingente enfrenta as agruras de suas precárias condições de infraestrutura interna, trânsito e logística. Portanto, é urgente a adoção de medidas de contingência que garantam um mínimo de operacionalidade para a Ceagesp na Vila Leopoldida, mas sem perder de vista que São Paulo precisa mesmo é de um novo e moderno entreposto de hortifrutigranjeiros.

É imprescindível para o bem e o futuro do abastecimento que o Governo Bolsonaro solucione esse grave gargalo, contando com o trabalho excepcional da futura ministra da Agricultura, deputada federal Tereza Cristina, pessoa séria, com excelente e adequada formação.

(*) - É presidente do Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento do Estado de São Paulo (Sincaesp).
(**)Onivaldo Comim é presidente da Associação dos Permissionários do Entreposto de São Paulo (APESP).

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