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Pedro Raffy Vartanian (*)

A despeito da queda na taxa de crescimento, a economia brasileira se mostrou resiliente.

A falência do banco de investimento Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, pode ser considerada como o principal traço característico da “crise do subprime”, que foi a principal crise financeira internacional dos últimos 15 anos.

Ainda que a crise tenha se iniciado bem antes, e que outros elementos já sinalizassem os problemas econômicos dos EUA com origem no mercado imobiliário, a falência de uma instituição financeira de mais de 150 anos, que era o quarto maior banco de investimento do país na época, provocou um efeito contágio de dimensões globais em uma velocidade ainda mais rápida do que a observada nas crises anteriores.

A economia brasileira e os demais países emergentes vinham apresentando taxas de crescimento expressivas e a opção de política macroeconômica doméstica foi de aplicar políticas monetária e fiscal expansionistas, com redução da taxa de juros e aumento dos gastos do governo combinado com desonerações fiscais, como a redução de imposto para estimular a venda de automóveis.

A despeito da queda na taxa de crescimento, a economia brasileira se mostrou resiliente, com recuperação relativamente rápida dos efeitos da crise. Após uma queda do Produto Interno Bruto de apenas 0,13% em 2009, em termos reais, a economia brasileira cresceu 7,53%, em 2010. A condução das políticas econômicas nos anos subsequentes à crise, entretanto, levou a economia para a recessão mais longa desde a década de 1990.

O cenário internacional também contribuiu. A queda no preço das commodities, como resultado da crise do subprime, da contração da liquidez global e de menores taxas de crescimento da economia mundial, afetou o balanço de pagamentos do Brasil, que em essência traduz as relações do Brasil com o resto do mundo.

O represamento de preços administrados, como preços de energia e combustíveis, associado a uma aparente leniência com a inflação por parte do Banco Central, exigiram uma reversão da política monetária expansionista já a partir de 2013, em um cenário de relativo descontrole das contas públicas que, com baixo crescimento econômico, começou a mostrar seus efeitos perversos sobre a economia.

A economia brasileira entrou em recessão já em 2013, e apenas em 2017 voltou a subir, com um crescimento bastante modesto, de 1% em termos reais. A inflação foi controlada, mas o cenário fiscal é bastante complexo. Em um contexto político conturbado, o que se espera é que apenas em 2019 medidas mais efetivas de ajuste fiscal sejam adotadas.

Ainda assim, a recuperação plena da economia brasileira poderá ser observada apenas em meados do primeiro quinquênio da próxima década. A crise de 2008 pode não ter afetado de forma tão intensa e imediata a economia brasileira, mas a recuperação plena de seus efeitos ocorrerá somente cerca de 15 anos depois de seu início.

(*) - É professor do Mestrado Profissional em Economia e Mercados da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

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