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Bruno Madruga (*)

Nos últimos meses, assistimos uma deterioração das expectativas do mercado financeiro, tanto no campo externo quanto no doméstico.

Esse cenário culminou em uma queda de -4,76% no Ibovespa até o último pregão de junho, eliminando o crescimento dos primeiros meses do ano. No exterior, três grandes fatores foram os responsáveis por esse declínio: o aumento da taxa de juros americana; a tensão comercial entre Estados Unidos e China; e o enfraquecimento da economia chinesa. Isso trouxe uma percepção de maior risco para os mercados emergentes e impactou negativamente o mercado brasileiro.

Já no campo doméstico, dados de atividade econômica mais fracos, que desapontaram os investidores, e a recente greve dos caminhoneiros trouxeram uma incerteza ainda maior. Assim, a expectativa de um PIB de 3% de alta nesse ano, caiu para 1,5%. No cenário político, a incerteza é ainda maior, visto que as candidaturas que estão à frente das pesquisas se mostram menos comprometidas com as reformas necessárias ao Brasil. Esses fatores ocasionaram uma queda de 20% na Bolsa de Valores desde meados de maio até o final de junho.

A incerteza também afetou os Fundos Multimercados, os Fundos Imobiliários e até mesmo Títulos de Renda Fixa de maior prazo, pois vimos as taxas de juros longas, com vencimentos em 2023 e 2025, subirem forte no momento de stress, assim como o dólar, que chegou a atingir patamares próximos a R$ 4,00.

Para o próximo semestre, a percepção de risco não deve diminuir, por outro lado, também vemos que os preços das ações de algumas empresas ficaram muito atrativos após a forte queda, o que pode trazer o capital estrangeiro novamente e apoiar uma eventual retomada do mercado acionário e das expectativas positivas da economia.

Desta forma, o mercado deve continuar volátil e desafiador neste semestre. Trabalhamos com a taxa Selic em 6,5% ao ano até o fim de 2018, e um cenário do Ibovespa na casa de 90 mil pontos, pressupondo a eleição de um governo comprometido com as reformas que o país precisa. Caso isso se confirme, a expectativa de crescimento do Brasil deve aumentar, beneficiando empresas locais.

Para os investidores, ações do setor financeiro, como os bancos, ficarão mais atrativas para aquisição. Os Fundos Imobiliários também merecem atenção, pois a queda das cotas deixou o dividendo (distribuição de lucro) mais atrativo, assim como os Fundos Multimercado, que também caíram, e agora podem retomar pela possibilidade de trabalharem ativos mais elaborados (juros, moedas, etc.).

Portanto, o cenário atual pede cautela e bastante paciência dos investidores financeiros, mas as crises também abrem excelentes oportunidades!

(*) - É sócio e head de Renda Variável e Derivativos da Monte Bravo, empresa de assessoria de investimentos que figura entre as três principais do país.

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