Renato Carbone (*)

Posse de bola, finalizações, passes errados, aproveitamento de passes, desarme - estes costumam ser os dados analisados a cada fim de partida na Copa do Mundo.

Mas será que eles são, de fato, dados que podem se transformar em informação e ajudar na tomada de decisão para a partida em andamento ou até mesmo para próxima partida? A resposta correta é: bem pouco provável! Isto porque estas avaliações são feitas ao fim do jogo, com informações já ocorridas que não servem como padrão para outras partidas. Um novo jogo acontecerá sob novas premissas e parâmetros, e as informações tiradas nesse formato são pouco úteis para ajudar na melhora do desempenho.

Como consequência a falta de processamento de dados em tempo real, o técnico tem que tomar decisões ao longo do jogo muito mais baseadas em sensibilidade e intuição do que em informações. E este já foi o caminho de muitas empresas: diretores e gerentes tinham que ajustar as decisões se baseando em seus conhecimentos e instintos. Não havia dados consistentes que pudessem amparar tais decisões.

Com o avanço da internet e da tecnologia, o volume de informações gerado cresceu de forma exponencial. As empresas foram obrigadas a entrar na era do Big Data: gerar, armazenar, filtrar e analisar informações. Esse passou a ser o grande desafio. Pessoas e tecnologias precisaram ser aprimoradas para que este processamento de dados fizesse algum sentido e ainda assim não era suficiente.

Ao contrário do que se imaginava, um volume alto de informações não é, necessariamente, útil para uma empresa. Isto porque o contexto é importante. Ter o maior banco de dados possível, mas não saber o que você quer com ele ou não ter as informações pertinentes para o que se pretende, não vai ajudar a empresa no processo de tomada de decisão.

Small Data, em tradução livre, ‘pequenas informações’. Este é o caminho que vem sendo apresentado como eficiente. Small data é um recorte desse banco de dados que pinça as informações mais pertinentes e, em conjunto com a Inteligência Artificial, pode ser processada em tempo real e trazer respostas. Com a união destas tecnologias, o que eram apenas dados, tornam-se informações com parâmetros e aprendizados constantes.

Com o tempo, essas informações começam a ser preditivas, possibilitando que a tomada de decisão se antecipe ao resultado final.
Já imaginou isso na Copa? O técnico receber análises em tempo real, conseguindo entender o comportamento de cada um dos seus jogadores em relação a partida em questão. Poder prever quem pode contribuir, quem deve ser poupado, quem pode render mais. Saber o impacto de uma possível mudança tática no resultado final do jogo, entre tantas outras possibilidades.

Se no futebol essa ainda é uma realidade distante, para a sua empresa não precisa ser.

(*) - Publicitário, tem experiência na área de Loyalty e Incentivos. É gerente de planejamento na Valuenet Incentive Solutions, onde lidera o Lab de soluções que desenvolve projetos personalizados por meio de mapeamento de gatilhos culturais e motivacionais (www.valuenet.com.br).