Alexandre Pierro (*)

A greve dos caminhoneiros, que ontem (24) chegou ao quarto dia, está paralisando o Brasil

A falta de abastecimento levou vários setores ao caos. Segundo os líderes do movimento, a principal exigência é a queda no preço do diesel, que tem inviabilizado o transporte de mercadorias no país. O preço dos combustíveis varia de acordo com a cotação do dólar e do petróleo no mercado internacional. Sendo assim, caminhoneiros pedem que o governo estabeleça uma regra para os reajustes do produto, reduzindo a volatilidade nos preços.

A paralisação defende a aprovação do projeto de lei 528, de 2015, que cria a política de preços mínimos para o frete, bem como a criação de um marco regulatório para os caminhoneiros. O fato é que, com esses profissionais de braços cruzados, agora diversos setores da economia estão sofrendo. Embora a causa dos problemas seja externa às empresas que se utilizam do transporte, portanto não-controlável, um melhor planejamento dessas empresas certamente faria com que o impacto fosse menor num momento como esse.

Independentemente do porte ou segmento, toda empresa precisa ter um plano para gerenciamento de risco. A análise de riscos pressupõe um processo de compreender a natureza do risco e determinar o nível de sua magnitude e abrangência. O assunto é tão importante que existe até uma norma ISO, a 31.001, de gestão de risco. Essa norma nasceu em 2009, da necessidade das empresas de lidar com as incertezas que podem afetar seus objetivos estratégicos.

Entre eles podemos citar os financeiros, operacionais, projetos, novos produtos, marketing, impactos ambientais, entre outros. Essa norma visa padronizar as melhores práticas e abordagens que a empresa pode adotar para analisar e mitigar seus riscos. Cabe destacar que ela apenas sugere e não define o que a empresa deve fazer. Por esse motivo, essa não é uma norma certificável.

Junto com a norma ISO 31.001, surgiu o conceito de Auditoria Baseada em Riscos (ABR), onde o foco é identificar eventos que possam vir a impactar os objetivos estratégicos da empresa. A ABR tem o foco preventivo e no futuro. Ela não olha para o que foi feito e sim para o que “pode” ser feito. A ABR não trata de auditar os riscos, mas sim as respostas adotadas pela administração, criando assim um plano de ação para emergências.

Tendo atenção ao gerenciamento de riscos, certamente os impactos advindos da greve dos caminhoneiros certamente seria menor em diversos setores. Desenvolver uma cultura de prevenção, focada na gestão baseada em melhoria contínua, é o melhor caminho para construirmos empresas mais saudáveis e menos vulneráveis.

(*) - É engenheiro mecânico, bacharel em física aplicada pela USP e fundador da PALAS, consultoria em gestão da qualidade (www.gestaopalas.com.br).

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