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André Gonçalves (*)

As entregas no Brasil enfrentam sérios problemas.

O roubo de cargas cresceu 42% nos últimos anos, segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística (NTC), principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que concentram 81% dos crimes. Nesse contexto, é essencial que as empresas que apoiam a operação logística atuem de forma conjunta com as transportadoras e seguradoras, para elaborar estratégias que diminuíam os riscos na entrega.

Devido a situação crítica do país, algumas mudanças podem ser feitas para contorná-la. No que diz respeito ao deslocamento da frota, realizar ajustes na jornada de trabalho ajuda a evitar que os veículos circulem em horários críticos, e também é possível solicitar escoltas para acompanhar a entrega dependendo do tipo de item.

Além disso, é necessário ter um controle atento dos pontos autorizados de parada dos carros ao longo da viagem. Negocie com o cliente para agilizar o processo de recebimento dos materiais, para que o veículo não permaneça muito tempo estacionado em local exposto.

Para que essas práticas sejam assertivas, é preciso que a colaboração entre a companhia responsável pelo planejamento logístico e outros agentes dessa operação, siga diretrizes que garantam uma execução focada no atendimento das necessidades e expectativas dos clientes finais. Afinal, é sempre esperado que a entrega seja realizada conforme contrato e prazo negociado.

Alimentos, bebidas, medicamentos, produtos farmacêuticos, eletrônicos e autopeças são alguns dos setores mais afetados pelo roubo de cargas, pois são itens de fácil revenda. A implementação de novas medidas de segurança nessas grandes indústrias podem afetar em até 30% nos custos logísticos para atendimento dos clientes localizados nas áreas mais críticas.

Os maiores impactos estão no fracionamento da carga para reduzir o valor do veículo, e a adoção de escoltas para acompanhamento. O aumento do preço cobrado pelas transportadoras e seguradoras também entram na conta. A redução de riscos contribui diretamente para a diminuição de gastos na operação a médio e longo prazo, sendo que daqui para frente, as organizações deverão revisar seus orçamentos levando em conta os impactos gerados pelas ações necessárias para mitigar a insegurança em suas entregas.

O panorama atual afeta com certeza a atuação da logística nos próximos anos. Na perspectiva operacional, em que a maior dificuldade está na disponibilidade de veículos, é fundamental prever a demanda futura, no intuito de obter melhores negociações com seus parceiros logísticos e se preparar de forma prévia para o atendimento aos clientes finais.

Os próximos passos serão decisivos para que os negócios aproveitem esse momento para amadurecer seus processos, com revisões de seu modelo atual da malha logística, com a análise de variável de risco em conjunto com custos logísticos e tributários e nível de serviço, normalmente já consideradas.

(*) - É gerente de logística da Nimbi, especialista em tecnologia para a cadeia de suprimentos (http://www.nimbi.com.br/).

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