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Albano Schmidt (*)

Pelos quatro cantos do país há o discurso de que a crise está passando e que, em 2018, a economia brasileira retomará o crescimento.

Preciso dizer que esses comentários me deixam perplexo. O brasileiro precisa se dar conta do quão grave foi a crise e de que seus impactos ainda terão reflexos por muito tempo. As empresas, geradoras de emprego e renda, estão sufocadas - acabou o ar.

O governo federal lançou o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert). Semelhante ao Refis, ele veio como uma opção para as empresas – aquelas que conseguiram sobreviver – voltarem a ter sua situação tributária regularizada. Céticos, muitos questionaram os benefícios do Programa, mas afirmo que foi a única alternativa que milhares de organizações tiveram para manter os empregos e tentar passar por esse momento.

Mas este mecanismo, sozinho, não será capaz de recuperar o que foi perdido. Muitas empresas demitiram ou faliram; outras contabilizam prejuízos de 40%, 50% ou mais e tiveram que usar dos mais diferentes artifícios para honrar seus compromissos, na busca pela sobrevivência. O Pert não é um remédio capaz de alcançar todas as empresas, na dosagem necessária para resolver os problemas criados por essa crise, que foi gerada pela corrupção e instabilidade política.

Desde 2014, a economia sofreu uma forte queda. Para 2018 até está prevista uma recuperação, mas os índices, com certeza, não se aproximarão dos patamares observados antes de 2014. Ainda temos muito trabalho pela frente. Temos que refletir sobre a crise. Governo e políticos querem continuar do jeito que está, sem aproveitar o momento para modernizar o país, criando mecanismos de incentivo à geração de emprego, renda e desenvolvimento.

Precisamos externar nossa indignação e refletir seriamente sobre os desmandos políticos e a inversão de valores que o Brasil vive. Nosso país está quebrado e a classe política, em sua maioria, ainda mantém uma mentalidade voltada apenas aos seus interesses pessoais. Apesar dos rombos bilionários que estas posturas já geraram ao país, nossos governantes insistem em transferir a conta de seus desmandos para os cidadãos, os contribuintes, se utilizando de voracidade arrecadatória.

Cada um deve fazer a sua parte. Não podemos cruzar os braços e pensar que as coisas estão melhorando organicamente, naturalmente. Não podemos ser negligentes. Temos que nos insurgir contra esse estado de coisas. A política é que tem que servir ao cidadão e não o contrário. O que presenciamos hoje é o completo descaso com o Brasil, que está com sua infraestrutura completamente destruída e sem condições de competitividade internacional. Se olharmos a infraestrutura de outros países, como a China, constataremos que a diferença é abismal.

A batalha é diária. Quero restabelecer as condições de preservação e competitividade da minha empresa, para recuperar empregos e continuar investindo nas pessoas, em tecnologia, no desenvolvimento e na inovação. Como empresário, sei que os próximos anos serão difíceis. A conta que as empresas terão que pagar é muito pesada. Chegou a hora de tomarmos uma atitude.

Vamos cobrar de nossos políticos seriedade e compromisso para mudarmos o futuro de Brasil.

(*) - É presidente da Termotécnica.

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