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José Henrique Bravo Alves (*)

Cerca de 95% dos orçamentos do setor público, nas instâncias federal, estadual e municipal, são comprometidos pelo custeio, verbas vinculadas e despesas obrigatórias.

Restam, assim, apenas 5% de recursos discricionários, para atender aos investimentos. Não é difícil perceber por que o aporte de recursos públicos em infraestrutura tem ficado muito aquém das necessidades do País, o que explica, em grande medida, a precariedade das rodovias, a deficiência e falta de ferrovias, produção de energia hidrelétrica em níveis temerários e o grave déficit no saneamento básico.

As denúncias de corrupção, prisão e sanção legal de políticos, executivos e presidentes de algumas das maiores companhias brasileiras, construtoras de grandes obras, e o impacto financeiro e comercial do envolvimento dessas empresas nos fatos que vêm sendo apurados também influenciam de modo negativo os investimentos em infraestrutura.

O Brasil segue investindo apenas 1,5% do PIB no setor. Para empresas como a Locar, cujo mercado é bastante dependente do desempenho da área de infraestrutura, o abalo sem precedentes sofrido pelo setor tem representado agudas dificuldades.

Os danos são graves ao longo de toda a cadeia de suprimentos, com estragos consideráveis na economia, para a qual são muito expressivas as obras de grande porte, como rodovias, usinas hidrelétricas, aeroportos, redes de transmissão e distribuição de energia, segmento de gás e petróleo, intervenções como a transposição do São Francisco, ferrovias e hidrovias.

Neste momento em que há toda uma expectativa com relação à retomada do nível de atividade, as empresas que prestam serviços e fornecem bens e produtos para as companhias de infraestrutura esperam que a volta do crescimento estimule seu mercado. Nesse contexto, também seria importante uma redução mais acentuada dos juros e o revigoramento do setor, com a reestruturação, inclusive nas práticas de compliance, que vem sendo anunciada por empresas citadas na Lava Jato.

Eticamente saneadas, é importante seu retorno ao mercado, inclusive às licitações de obras públicas, como começa a ocorrer. O Brasil investe cerca de R$ 120 bilhões por ano em infraestrutura. A demanda, porém, é de R$ 300 bilhões, chegando próximo de 5% PIB. No presente cenário, a única alternativa para viabilizar esse aporte é aumentar a participação do setor privado, considerando o baixíssimo poder de investimento do Estado.

Nesse sentido, é importante que se efetive integralmente o plano recentemente anunciado pelo governo, de passar à iniciativa privada a administração de 14 aeroportos, 11 lotes de linhas de transmissão de energia elétrica e 15 terminais portuários, além de parte da Eletrobrás. A medida deve arrecadar cerca de R$ 44 bilhões para o erário federal, mas o aspecto mais importante é a reativação dos investimentos em infraestrutura.

(*) - É vice-presidente Comercial da Locar Guindastes e Transportes Intermodais.

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