Reinaldo Dias (*)

Os acontecimentos recentes têm evidenciado a incapacidade dos partidos políticos em administrar e encaminhar soluções para os diversos problemas que atingem o país.


Os grandes partidos – PMDB, PT e PSDB - não tem se destacado no processo político por suas propostas, ideias ou ações efetivas, mas atuam, principalmente buscando desgastar ou desqualificar o adversário. Nesse arremedo de debate não se destacam os mais capazes, mas os mais medíocres.

Infelizmente, salvo honrosas exceções, a política partidária se degradou de tal modo que vem sendo exercida por pessoas que viram nela um caminho para acessar a riqueza e o poder. Quando apanhados na prática de ilícitos, sem argumentos de defesa, negam os fatos, se dizem inocentes e adotam a postura de denegrir ou desprestigiar seus desafetos.

Nesse processo a verdade é sacrificada. Qualquer mentira ou acusação é válida como forma de defesa, desde que possa tirar de circulação o oponente – quer seja ele outro político, um juiz, um procurador ou órgão de imprensa. Entramos, então, no campo da verdade alternativa.

São narrativas construídas sobre mentiras com o propósito de aglutinar os comparsas de práticas criminosas em torno de seus caciques. São referências importantes dessas práticas, o Presidente Temer no PMDB, o ex-Presidente Lula no PT e o Aécio Neves no PSDB. Todos apanhados com a “boca na botija” como diz a expressão popular.

Diante da dimensão dos crimes cometidos, a imensa maioria da população está atônita, estupefata e com a indignação contida por um sentimento difuso de que as coisas estão funcionando. Porque o Estado, em todos os seus níveis, está em ação. Com deficiências, certamente, mas os serviços essenciais são executados, a rotina da administração pública segue cumprindo suas tarefas e existem canais para que as pessoas possam mostrar sua insatisfação.

Mesmo em estados destroçados pela corrupção e a incompetência na gestão pública como o Rio de Janeiro, a perspectiva é a busca pela saída institucional. Contribui para essa sensação de funcionamento das instituições a existência de uma sociedade complexa, formada no campo social por centenas de milhares de organizações não-governamentais (ONGs) que prestam serviços públicos diversos, complementando a ação do Estado.
Acrescente-se a isso, no campo econômico, as cerca de 9 milhões de micro e pequenas empresas que são responsáveis por cerca de 27% do PIB projetando um quadro da enorme complexidade do tecido social e econômico do país que forma uma base de sustentação a partir da qual se pode alavancar uma saída para a crise rumo a um desenvolvimento mais sustentável.

O caminho a ser percorrido pelo Brasil, de certa forma, está traçado. Veremos novas práticas, novas propostas e novas caras se apresentando no cenário político. Mas mudanças radicais não deverão ocorrer porque as instituições democráticas estão consolidadas e não permitirão que ocorra. A linha sucessória será obedecida em qualquer caso.

É urgente melhorar a qualidade de nossa democracia. Uma reforma política é necessária, mas para isso acontecer é preciso, também, ocorrer uma renovação nos partidos que passam por uma crise ética. As direções partidárias devem ser assumidas por pessoas com elevado espírito público, que possam articular e apresentar propostas alternativas para o aperfeiçoamento do processo democrático.

Há uma enorme tarefa a cumprir no campo da redução da pobreza, da melhoria da segurança, da educação e da saúde que depende de decisões a serem tomadas no âmbito da Administração Pública. Melhorar a governança do Estado é tarefa urgente e isto passa pela escolha de representantes comprometidos com propostas concretas para a solução dos problemas mais urgentes e identificados com práticas políticas distantes da mediocridade reinante.

(*) -Sociólogo, Mestre em Ciência Política e Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, é especialista em Ciências Ambientais e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie/Campinas.