Antônio Britto (*)

Parece que o eleitor não sabe o que quer, lendo a importantíssima pesquisa do DataFolha deste final de semana. Coloca Lula em primeiro lugar nas pesquisas.

Diz admirar a experiência como atributo fundamental para um presidenciável.
E quer Lula na cadeia. Cuidado! O eleitor está sendo coerente. Ele quer Lula na cadeia, Temer processado porque, ao lado da competência, exige e vai cobrar um comportamento ético. Daí a enorme dificuldade de Lula e de qualquer outro que esteja envolvido nas acusações e processos decorrentes da Lava Jato.

Mas, erro grosseiro, pensar que a discussão de 2018 se esgota na ética. Ela começa pela ética e avança para o tema de sempre. Há um padrão nas sete eleições ocorridas desde a democratização. Com inflação alta e desorganização da economia, venceu quem vendia futuro e esperança (Collor) contra todos que de alguma forma representavam “o que estava aí”.

Venceu Fernando Henrique, que personalizava o real, esperança de inflação baixa, retomada do emprego e do desenvolvimento. Venceu Lula quando conseguiu, depois de três derrotas, conciliar a mensagem de equilíbrio
(graças a Palocci) com a esperança de promover inclusão social em um cenário de economia então estabilizada.

E venceu Dilma quando, apesar de tudo, significava a continuidade da inclusão. Vale dizer: em sete eleições, sempre o mesmo, apesar de tantas diferenças. Há uns 20 e tantos por cento ideológicos, à direita, geralmente saídos da classe média do sul-sudeste do País com uma agenda que privilegia a ordem, a estabilidade, a ética.

Há outros 20 e poucos por cento ideológicos, à esquerda, também saídos dessa mesma classe média, das corporações, dos sindicatos e de setores como a universidade que privilegiam o repertório tradicional e conhecido da esquerda. Mas quem ganha eleição, quem está invicto são 40 a 50 por cento. Não são ideológicos. Não se definem ou se localizam por região. São vitimas da desigualdade. Não tem plano de saúde. Sofrem com o SUS. Com as escolas públicas, péssimas. E para eles a violência é mais que o assalto ao carro ou a casa – a violência é ver os filhos mortos na frente do barraco pelas balas perdidas.

Querem e precisam de esperança. E esta vem da capacidade de o candidato apontar para o caminho da inclusão, da melhoria social. Se vier de alguém que, além disso, também passa experiência, como Fernando Henrique, ótimo. Se vier de alguém que transmitia amadurecimento (Lula, paz e amor), ótimo. Mas se não houver esse alguém, serve quem promete ainda que falsamente (Collor).

As pesquisas confirmam que há enorme espaço e exigência para a ética e a experiência. Mas elas serão inúteis se quem as defende não for visto como esperança de inclusão, se não souber falar para quem precisa e não para a avenida Paulista. O futuro da eleição está nas mãos, portanto, de quem é sensato/responsável. Ou estes produzem a alternativa inclusiva ou entregam a eleição ao inesperado/demagógico/populista,

Vale dizer, lembrando a famosa eleição do Clinton. No Brasil, não é a economia.

É a inclusão, seu estúpido!

(*) - É Presidente Executivo da Interfarma (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).