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MP temproario

Sem frota própria, 55,3% das empresas consultadas pretendem repassar custo do frete aos preços dos produtos. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O tabelamento do frete deve causar impacto de R$ 3,3 bilhões sobre a indústria paulista entre os meses de junho e dezembro deste ano, estimou ontem (11) a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O aumento equivale, segundo a pesquisa Rumos da Indústria Paulista, a um gasto adicional com frete de R$ 469,6 milhões por mês. Para a pesquisa, foram consultadas 400 empresas do estado.
O tabelamento do frete, uma das reivindicações dos caminhoneiros durante a paralisação nacional e que define valores mínimos para o frete rodoviário no país, foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados. Pela proposta, caberá à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicar duas vezes ao ano os preços mínimos do frete referentes ao quilômetro rodado, por eixo carregado, considerando distâncias e especificidades das cargas e priorizando o custo do óleo diesel e dos pedágios.
Segundo a Fiesp, 55,3% das empresas consultadas pretendem repassar, integralmente ou parcialmente, o aumento do frete para o preço do produto. “Depois de três anos pressionadas pelo fraco desempenho da economia, as indústrias paulistas estão com pouca margem para absorver este aumento do preço do frete sem repassar para os preços dos seus produtos”, disse José Ricardo Roriz Coelho, presidente em exercício da Fiesp.
O dirigente disse ainda que, se houver o repasse, isso vai ocorrer em um momento de recuperação ainda lenta da economia, “o que deve levar a uma queda das vendas, conforme projetado pelas próprias empresas que participaram da pesquisa”. Para Roriz, “fixar preços mínimos viola o princípio da livre iniciativa e é ineficaz”. Já a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprojosa) estima que o potencial de perdas ao setor de grãos do Estado com o tabelamento do frete é de R$ 600 milhões.
“Esse número considera os efeitos sobre a alta dos fretes, o aumento dos preços de insumos agrícolas e os impactos negativos sobre as cotações dos grãos”, disse a entidade em nota. A Aprosoja diz que vai reforçar o trabalho junto à Frente Parlamentar da Agropecuária para derrubar a votação no Senado, e “impedir que a MP do tabelamento vire lei” (ABr/AE).

"Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem,
ia sobrar muito dinheiro no mundo".

Millôr Fernandes (1923/2012) Jornalista brasileiro

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